sexta-feira, 8 de março de 2013

A sós.


Aos que estão aqui, quero agradecer pelos seus olhos e tempo depositado. 

Aos 14 anos comecei a namorar um rapaz, lembro que ele foi persistente com o nada, só na condição de amigo, foi capaz de me esperar por um ano, esperar eu retribuir o que ele sentia, foi o que aconteceu, namoramos por 2 anos e 10 meses, um relacionamento saudável, sem ciúmes, cobranças e amigos chatos para atrapalhar o andamento das situações, tínhamos os mesmos amigos, amigos que faziam questão de nos ver juntos, enfim, mas como tudo, o sempre, sempre acaba. Logo depois, aos 17 anos namorei outro jovem, bem diferente do primeiro e consequentemente um relacionamento diferente também, foi bom, divertido, explosivo e complicado, mas não me arrependo de nenhum dos dois, me fizeram bem e amadureci.
Hoje tenho 20 anos, segundo a psicologia do desenvolvimento ainda sou uma adolescente, após o meu último romance não vivi nenhum outro e isso foi por escolha própria, apareceram pessoas querendo namorar comigo, querendo até casar (eu sempre sorriu quando lembro disso), mas eu escolhi dizer não. E isso aconteceu pelo simples fato de eu querer viver coisas sozinhas, eu estava e estou em uma fase de amor individual, um amor que eu quero dá só para mim mesma, sem mais. Eu quero viajar sem ter que me preocupar com quem eu vou deixar aqui, com o que ele vai pensar, quero acampar com os meus amigos e não levar ninguém além de mim mesma, quero ter os almoços de família e não ter que apresentar ninguém, quero deixar o status de relacionamento como solteira (rsrs), quero ir ao cinema sozinha, quero terminar o dia deitada sem ligar para ninguém, apenas pensando. Parece estranho, mas eu quero ficar só, não é medo, não é por que é difícil ter alguém, é porque simplesmente eu quero, sinto necessidade de viver isso, de estar só.
É exatamente nisso que mora a minha queixa, eu estou cansada de ser cobrada pela sociedade um namoro, de por onde estou pessoas quererem saber se eu tenho namorado e indagarem por que uma menina tão bonita e interessante está só.  Afinal é normal uma jovem ter um namorado. Mas o que é normal? Eu posso não querer seguir esse padrão de normalidade? As pessoas estão acostumadas a associarem a felicidade em ter alguém, um(a) gatinho(a) para beijar, estão acostumadas a esperarem ansiosamente por alguém para andar de mãos dadas nas tardes de pôr-do-sol, para ir ao cinema, dividir uma pipoca, a terem uma trilha sonora de “amor”, acostumadas a colocarem a alegria plena e completa nisso, se você não consegue ver o pôr-do-sol, não consegue ir ao cinema, comer uma pipoca sozinho e não consegue ter músicas que você escute e lembre de suas diversões “solitárias”, cara você tá mal, goste mais de você mesmo ao ponto de conseguir ficar só “você&você” e se divertir, aproveite o seu eu, a felicidade começa por ai, pelo menos para mim.
 Afirmo que eu não estou só, eu tenho a mim mesma, eu tenho meus familiares, amigos. Estou cansada de o meu próprio pai querer que eu arrume um namorado, dele me oferecer para todos os filhos de amigos dele (rsrs), de me dizer “eu quero meus netos”. Eu só tenho 20 anos, ainda tenho tanta coisa pra viver, quero colocar meus pés por tantos lugares, quero estudar tanto, eu sou tão jovem para querer filhos, é difícil entender que existem pessoas nesse mundo que querem passar um tempo só com elas mesmas? Cansei da moça que trabalha na minha casa perguntar “e ai Jam, nenhum namoradinho? Já tá na hora.” E quem disse que tem hora para isso? Mais uma vez os padrões, isso me deixa indignada. Os padrões dizem que até os 30 você tem que está casada, com um emprego fixo, com uma casa própria e com pelo menos um filho, e aos 21 você tem que esta namorando para poder conseguir. É por isso que as mulheres ficam loucas “caçando” homens quando chegam aos 27... Triste fim. E sem falar na minha avó que também faz questão de entrar para o time da campanha “Jamille arrume um namorado”, ai ai, existe tantas coisas além de um relacionamento amoroso... Não é que eu não queira namorar nunca mais, casar, ter filhos, longe disso, eu só estou bem assim, custa entender e deixar como estar?
Devo revelar para vocês que em partes eu sei por que quero ficar só, é pelo fato de nesses últimos 2 anos que estive solteira vivi os melhores anos da minha vida, eu passei por tantas coisas boas, fui surpreendida tantas vezes,  fiz coisas que sempre quis, ajudei pessoas, transmitir amor, arranquei sorrisos, dei e recebi tantos abraços de desconhecidos, mas cheios de amor, eu realizei sonhos, criei novos, eu evolui, eu me dediquei, gastei tempo comigo mesma, fiz novos amigos, viajei, acampei, eu dancei sozinha dentro de um supermercado, ri sozinha dentro do ônibus, também passei por momentos difíceis que quis um ombro amoroso pra deitar, reconheço, mas passou quando tive inúmeros ombros amigos. Eu estive sozinha e ao mesmo tempo muito bem acompanhada, estive feliz como nunca antes. Eu estou realizada, e por enquanto estou bem assim, não preciso de um romance...
... Até o dia que aparecer alguém que me faça querer mais do que estar comigo mesma e eu  vou deixar que o tempo se encarregue disso e não a porcaria da pressão da sociedade. 

Seja capaz de dançar, sorrir e se divertir a sós, é um grande passo para o amor. Dedico a você uma das minhas músicas preferidas para voar sozinho, aumente o volume e se solte: http://www.youtube.com/watch?v=fyMhvkC3A84


"I feel my heart start beating to my favourite song
And all the kids they dance, all the kids all night
Until monday morning feels another life
I turn the music up
I'm on a roll this time
And heaven is in sight"

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

21 e o fim do mundo

Estão dizendo que o mundo irá acabar amanhã e como farei com você, conosco? Poderia me arrepender profundamente por ter lhe dito "espere mais um pouco, pra que tanta pressa?", mas sabe não consigo ter esse sentimento, o único que sinto é paz. Tem dias que você caminha bem perto, outros, mais longe ou será que sou eu que me afasto e me aproximo quase sempre? 
Não pergunto quem de nós erra, o pouco tempo já me permitiu bastantes erros, só que eu olho para trás e digo alto no meu pensamento "você tem sorte de não ter me conhecido no passado, eu seria uma namorada tão chata... ai como eu errei, rsrs". Mas, sabe, você tem o dom de focar nos meus acertos, é isso que eu acho lindo, mesmo que eu tenha 90% de defeitos, você sempre dá ênfase nos 10% de qualidade, como não admirar isso? Poucos são os que conseguem, estou aprendendo. 
Hoje eu consigo olhar e dizer "Vamos deixar isso pra lá? Esquece isso, que coisa sem propósito" e o melhor é ouvir "É verdade, chega aqui minha namorada que não quer ser namorada"... Que coisa boba, já somos um casal, é o fim do mundo mesmo, rs. Fora que percebo que muitas vezes você já faz parte dos meus planos, já consigo lhe encaixar neles e abandonar um pouco do meu individualismo, parece o fim do mundo, mas é o começo.
Se o mundo acabar mesmo (o que nós sabemos que não vai acontecer) eu só quero que fique claro que é verdade quando eu digo que você faz tanto sentido que me dá medo, que nós somos tão simples e tranquilos juntos que eu chego a pensar que é você é meio irreal, eu sou pessimista, tu sabes, desculpa. Mas como certo alguém me diz: "É pessimista, mas consegue sonhar como ninguém... Como pode?"
Enfim, isso tudo é só uma desculpa para escrever e jogar ao vento tudo que faz tanto sentido para mim. Isso não é paixão, nasceu do lado esquerdo do peito, mas não vai contra a minha razão, é afeto, admiração e umas coisinhas a mais. 


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Estou correndo pra você, meu bem

Eu sei lá como as coisas tomaram essa proporção, sei lá como você passou a se tornar o meu pensamento diário, não o único, mas sempre presente. Não sei, só sei que faço as palavras do meu amigo James Morrison as minhas: "You make it real for me". 
Eu sei lá o que acontece para eu não aceitar você por inteiro... Tenha paciência comigo, afinal o que é mais importante, o meu sentimento ou como você vai me apresentar para os seus amigos? Não desista de mim, eu estou correndo pra você, meu bem.
Aceite-me assim, certa e incerta, paciente e impaciente, bruta e carinhosa, amando e amando. Por favor, não vá sair de perto, basta caminhar por aqui, sendo a minha noção, minha direção. 


Você Torna As Coisas Reais

Há tanta loucura me rodeando
Tanta coisa acontecendo, que fica difícil respirar
Toda minha fé foi embora e você a traz de volta pra mim
Você torna as coisas reais pra mim
Quando não estou certo das minhas prioridades
Quando perdi a noção de onde deveria estar
E como água benta caindo sobre mim
Você torna as coisas reais pra mim
E eu estou correndo pra você, meu bem
Você é a única que me salvou
É por isso que eu tenho sentido a sua falta ultimamente
Porque você torna as coisas reais pra mim
Quando a minha cabeça está forte mas o meu coração está fraco
Estou cheio de arrogância e de incertezas
Mas não consigo achar as palavras, você ensina o meu coração a falar
Você torna as coisas reais pra mim
E eu estou correndo pra você, meu bem
Você é a única que me salvou
É por isso que eu tenho sentido a sua falta ultimamente
Porque você torna as coisas reais pra mim
Todo mundo está falando com palavras que eu não entendo
Você deve ser a única que sabe exatamente quem eu sou
E você brilha ao longe, espero que eu consiga chegar
Porque o único lugar onde eu quero estar é de volta, em casa, com você...
Acho que existe muito mais que eu tenho a aprender
Mas se você está aqui comigo eu sei qual direção seguir
Você sempre me dá algum lugar, algum lugar para onde eu posso correr
Você torna as coisas reais pra mim
E eu estou correndo pra você, meu bem
Você é a única que me salvou
É por isso que eu tenho sentido a sua falta ultimamente
Porque você torna as coisas reais pra mim
Você torna as coisas reais pra mim...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Aventura, meu amor.

Como toda história de amor a trilha sonora faz parte: http://www.youtube.com/watch?v=OXvRjxkXvBI

Lembro-me quando tinha 12 anos e fiz a minha primeira viagem de avião, destino Fortaleza - CE junto de mais dois amigos. Estava no começo da minha adolescência e não existe nada melhor para um adolescente do que novas e grandes experiências, certo? Eu sempre fui uma garota sortuda por ter pais que sabiam me dar limites, mas deixavam-me fazer coisas que muitos pais não deixariam. Eu mesma, por exemplo, não sei se deixaria um filho de 12 anos viajar só, provavelmente não. 
O que eu sei é que foi extremamente divertido, eu carregava no pescoço um crachá que relatava "Menor desacompanhado", as pessoas me olhavam pra ler o que tinha escrito e eu nem ligava para a “plaquinha”, afinal era mesmo uma menor, o que eu queria de fato era curtir. Foi engraçado. Ver a cidade de cima foi uma experiência de dar frio na barriga. Ver tudo como formiga, com a janela “aberta”, os olhos arregalados me fez ficar apaixonada e não era uma paixão platônica, era reciproco, eu me apaixonei por toda aquela aventura e a aventura se apaixonou por mim e até hoje estamos por aqui, com uma paixão que virou amor. 
Acredito que a minha relação com o meu amor é desde muito antes disso, quando o meu pai aventureiro fazia questão de me apresentar às coisas que a linda aventura poderia me oferecer, mas foi esse fato que marcou na minha mente as raízes da nossa relação.
Depois disso a minha outra viagem aérea foi junto dos meus pais, com 18 anos, destino São Paulo e Rio de Janeiro já haviam viajado de carro, ônibus, até de barco, mas a expectativa de voar sempre me causa um pouco de ansiedade. Cada maneira seja aérea, terrestre, marítima tem seus atrativos particulares, então não me pergunte qual é a melhor forma para se aventurar, eu gosto de todas.
Viajar de carro é maravilhoso, por mais que demore seguir conhecendo cada pontinho, cada interior que você nem sabia da existência acompanhado de uma trilha sonora, se perdendo algumas vezes, rindo muitas outras, é tudo tão profundo e íntimo. De barco é um tanto quanto complicado, dá ânsia, enjoo, mas sentir o cheiro do mar e vê-lo de pertinho me relaxa como muitas outras coisas não conseguem. Avião é como eu disse, fico com frio na barriga, algumas vezes os ouvidos doem (nada que um chiclete não ajude), outras vezes você se assusta quando o ele treme. Uma grande vantagem: Se chega mais rápido no destino. Porém, o melhor de tudo (pelo menos para mim) é ficar perto do céu, passar por entre as nuvens, ver o pôr-do-sol, a lua cheia ou o nascer do sol de uma forma que ninguém consegue ver da cidade, já vi as três coisas da janela de um avião e afirmo, é sem igual. É de faltar ar. Perdi a conta de quantos vôos fiz, mas uma coisa eu nunca esqueci, de olhar pela janela e sorrir... Nem que algumas vezes seja só em pensamento
Por último, as viagens de ônibus são reflexivas, já viajei de noite e sonhos foram à única coisa que eu tive e também um carinha puxando o meu lençol. O meu último grande trajeto de ônibus foi com destino Curitiba-PR, estava morando em Foz do Iguaçu e comprei passagens para ver minha mãe que não via há quatro meses, ela viajava para lá a trabalho. Percurso que durou onze horas, então dai você tira como foi. Reflexiva, no mínimo. Onze horas intercaladas com ouvir música, ler, dormir, comer, olhar pela janela e pensar na vida, o que se deixou para trás e o que se esperava pela frente. Pra minha sorte choveu por um tempo, ver a paisagem linda do Paraná com as gotas escorrendo pela janela foi, foi... Sem palavras. Sem falar nas paradas que duram só cinco minutos, tempo que mal dá para comprar algo pra comer, ir ao banheiro e voltar correndo pra não perder o ônibus, minutos carregados de aflição e diversão individual, me atrevo afirmar (na verdade acho que eu é que me divirto com pouco). Acho que ficaram claras as vantagens não é? Já a desvantagem, que em alguns casos nem pode ser considerada uma, é a demora e dependendo do motorista, o perigo da viagem. 
Não é só o resultado que importa, é muito mais que isso, é a soma das partes que faz toda a diferença. A decisão de partir, comprar as passagens, a viagem, a chegada, o que se faz quando chega, a volta, o todo é que faz valer a pena. Valorizo tanto os detalhes que acredito que seja por isso que aventura me ama, por eu valorizar cada pedaço dela.
O que eu sei é talvez agora você consiga perceber um pouco por que a minha paixão pela aventura virou amor. Sozinha, acompanhada, pelos ares, terras, mares, seja como for, a aventura sempre faz o meu coração acelerar, meus olhos brilharem e meu sorriso aparecer significando diversão. É por isso que ela me faz feliz e eu não a deixo é nunca. Quanto mais aventura, quanto mais amor, para mim melhor. Crie asas, rapaz, não perca tempo cortado o que pode lhe fazer alcançar lugares jamais imaginados.


"A maior aventura de um ser humano é viajar,
E a maior viagem que alguém pode empreender
É para dentro de si mesmo.
E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro,
Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,
Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas
E descobrir o que as palavras não disseram..."
(Augusto Cury)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

E até hoje é amor...


1953, Isis tinha 17 anos, Raimundo 25. Oito anos de diferença não fizeram Leite (assim era chamado no quartel onde trabalhava) deixar de observar aquela menina que brincava de bolinha de gude em frente à escola técnica de São Luís-MA. Todos os dias ele fazia questão de passar pela avenida para ver a tal garotinha, "linda, eram uma mocinha ainda", assim ele me contou. Raimundo tanto fez que conheceu a garota, passava pela parada de ônibus todos os dias e assoviava, ela saia correndo para a janela para vê-lo ou então quando estava brincando, observada pela tia ouvia o assovio que vinha acompanhado da piada da irmã da sua mãe: "Olha Isis, tem um canário esperto por aqui", ela ingênua sorria desconcertada. 
O fato é que não passou muito tempo para tudo aquilo, assovios, visitas diárias com troca de olhares e sorrisos simples, virar paixão. Era daquelas paixões avassaladoras, que ninguém conseguia acabar. Infelizmente os dois viviam em um tempo que o pai escolhia o esposo para sua filha, o pai de Isis não quis que a sua querida casasse com um soldado, ele era apenas um cabo, o que poderia oferecer? Disse a filha que não o queria como genro. Seria isso empecilho para o amor dos jovens? Os dois não ficaram satisfeitos e lutaram pela felicidade. Leite a roubou (ele usou essa palavra quando me dava detalhes da história). Fugiram em uma tarde de sol, se esconderam na casa de um amigo e tudo estava planejado, onde ficariam, como seria e a documentação do casamento civil que precisava da assinatura dos responsáveis da menor de idade. 
Passaram-se horas e a família deu falta da moça, a procuraram, mas nada de acha-la. Como disse, tudo estava planejado, Didico esperto pediu pra sua mãe ir falar com o pai de Isinha para assinar a documentação, pois sua filha não iria voltar para casa de forma alguma. Foi o que aconteceu, o pai não enxergando outra solução assinou os papéis. Documentos assinados, casados de papel passado e já era oficial. Porém a parte que Isinha não ia voltar para casa de forma alguma não foi tão real, acabou que os dois foram morar na sua antiga casa juntos dos pais. O pai da moça virou pai de Raimundo, o tratou como filho, um pai que ele nunca teve (palavras que ouvi da boca do próprio). 
A vida foi seguindo e outras coisas foram acontecendo, no começo Didico deixava Isis na escola de bicicleta, sentada na garupa. Depois em uma motocicleta e mais tarde em um belo fusca. Passou de cabo para sargento, Isis passou a trabalhar na escola técnica e assim conseguiram construir sua própria casa. Com ajuda no pai da garota foi colocado tijolo por tijolo no terreno. Logo depois os filhos chegaram, o primeiro um homem, depois gêmeos e junto com eles o susto de ter dois meninos de uma só vez em um parto normal e por último veio a esperança de ser uma menina e colocar o tão sonhado nome que desejavam. Fizeram o enxoval todo cor de rosa, cheio de bonecas e frescuras de menininhas, a esperança acabou quando nasceu a criança e o enxoval praticamente foi todo trocado, mais um homem encheu os dois de alegria. 
Soa como a família perfeita, não é? Para mim sim, mas (como tudo na vida tem esse bendito mas) Leite era militar, cheio de regras, ignorâncias e brutalidade,  só que também era um poeta. Suas poesias quase sempre falavam da menina que já era uma mulher, dos seus filhos, da lua e do seu cigarro (que hoje não usa mais), se titulava de "O Lobo solitário", era e é amante da a lua e dizia que ela era a sua única companhia. Três décadas depois, Isis não suportou as regras, ignorâncias, brutalidade e pediu a separação, 1992, ano que eu nasci também foi um ano de muito sofrimento para os dois. Mesmo com todas as palavras escritas, Isinha achava que faltava aquelas palavras saírem do papel e virarem atitudes de amor. Ele não queria a separação, a amava, do jeito dele, mas amava. Vou contar que ela também o amava, mas mesmo amando não suportava mais as ignorâncias. Ele correu atrás dela por vários meses, fez quase tudo para tê-la de volta, lutou ao máximo para não perdê-la, mas de nada adiantou, ela havia decidido seguir em frente sem ele ao seu lado, meio infeliz, mas com a certeza de que seria o melhor. Agora sim, mais que nunca ele era o Lobo solitário.
Já faz 20 anos que os dois estão separados, idosos, vivendo um longe do outro, Didico casou novamente com uma moça 45 anos mais jovem que ele, teve outro filho, dessa vez uma menina e pós o tão sonhado nome, mas o grande segredo (que não é tão segredo assim) é que os dois ainda se amam, ele ainda fica sentado ouvindo as músicas que lembram o tempo que vivia junto dela e ela nega qualquer sentimento, diz que graças a Deus que acabou, porém ainda mantém os olhos distantes quando o assunto é ele. Já li as poesias de Leite, todas lindas, profundas e carregadas, inundadas de sentimento, seja de amor ou dor.
Eu não conto, mas seria totalmente a favor dos dois voltarem, esquecerem de todas as coisas, não olhar para trás, manter o foco no futuro e aproveitar o resto de suas vidas um ao lado do outro, mas isso com certeza não irá acontecer, os dois já seguiram adiante, nenhum está disposto a mudar pelo outro, nenhum dos dois vai voltar atrás e os dois acreditam que já se passou tempo demais, o melhor é deixar como está. Já disse e repito, grandes histórias também têm finais tristes, essa é a verdade. Resta-me ser consolada pela certeza que mesmo com tudo isso eles são felizes. 

Já faz tempo e agora na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais 

domingo, 9 de setembro de 2012

séc. I

"...O curioso é que é impossível olhar pro que se passou como algo já enterrado porque tudo aquilo que aconteceu tornou-se imortal!" 

Trecho do livro, "Marcada para nascer de novo! 
A vida de hadassa"

domingo, 12 de agosto de 2012

Além de títulos



Parecia filme quando falamos que não íamos nos envolver, com aquele papo que nós éramos descolados e ter encontrado um companheiro para se divertir foi o que nós dois queríamos. Sem o título de namorados, sem declarações nas redes sociais, sem ligações intermináveis no final da noite e principalmente sem algumas cobranças. Era perfeito, até você achar que isso não era o bastante, descolados ou não, nada nos impedia de ter um relacionamento que fosse divulgado aos quatro ventos, foi quase isso que saiu da sua boca naquele dia. 
Eu, adolescente não queria namorar, passei anos namorando, sem nem lembrar o que era uma vida de solteira, quando voltei a lembrar, gostei das lembranças e de revivê-las. A verdade é que eu não queria me apaixonar, como de costume. Você não se importava em sentir um amor avassalador, era melhor do que viver na mesmice. O velho ditado "Quando um não quer dois não brigam" não se encaixou conosco e a sua pergunta "Do que tu tem medo, menina?" não saiu da minha mente. Lembro que respondi na lata (como sempre) "De nada, eu simplesmente não quero". Pura mentira, eu tinha/tenho medo de várias coisas e uma das principais era de não me sentir preparada para deixar a minha individualidade um pouco de lado. 
Muito disso tem vestígios dos meus relacionamentos passados, não interpreto isso como trauma, mas como amadurecimento. Eu não sou a mesma menina de antes, claro que algumas coisas continuam em mim, mas eu tenho novos sonhos, novas vontades e não sei se nelas, por enquanto, cabe alguém. Não quero machucar ninguém, vivendo coisas, tendo trilha sonora, despertando paixão, para no final dizer que eu estou partindo sem previsão de voltar. Era isso que eu queria que você entendesse, mas não, você é louco e prefere se arriscar. Ainda não notou que eu sou egoísta e não deixo os meus sonhos por ninguém? Eu lembro que você me falou que estava disposto a sonhar comigo, mas e se...
Passaram-se semanas e a cada uma era mais frieza e distancia que havia, eu com medo e você com um certo orgulho de não insistir com a minha racionalidade, eu entendia. E assim eu fui constatando coisas que a distancia mostrou-me, eu ouvia certas músicas e me lembrava de você, passa por lugares que eu queria ir contigo, via trailer de filmes que queria assistir ao teu lado. Vivendo coisas, tendo trilha sonora, despertando paixão, isso tudo já existia eu só não enxergava e o que fazer? Continuar. 
Os meus pensamentos racionais ainda são maiores, o sentimento vai ficando de lado, tirando quando eu ouço a tua voz dizendo que precisa ir. Voltou e confessou que pior do que não ser meu namorado é não poder me ligar me convidando pra ir dar uma volta (rsrs). E hoje, aqui em público, onde qualquer um pode ler, eu te digo, é bom te ter comigo, fica por perto mesmo não sendo o meu namorado, isso vai além de títulos, você me faz bem e quando quiser pode me beijar, tu sabe que os meus beijos são só seus.