O fato
é que não passou muito tempo para tudo aquilo, assovios, visitas diárias com
troca de olhares e sorrisos simples, virar paixão. Era daquelas paixões avassaladoras, que
ninguém conseguia acabar. Infelizmente os dois viviam em um tempo que
o pai escolhia o esposo para sua filha, o pai de Isis não quis que a sua
querida casasse com um soldado, ele era apenas um cabo, o que poderia oferecer?
Disse a filha que não o queria como genro. Seria isso empecilho para o amor dos
jovens? Os dois não ficaram satisfeitos e lutaram pela felicidade. Leite a
roubou (ele usou essa palavra quando me dava detalhes da história). Fugiram em
uma tarde de sol, se esconderam na casa de um amigo e tudo estava planejado,
onde ficariam, como seria e a documentação do casamento civil que precisava da
assinatura dos responsáveis da menor de idade.
Passaram-se
horas e a família deu falta da moça, a procuraram, mas nada de acha-la. Como
disse, tudo estava planejado, Didico esperto pediu pra sua mãe ir falar com o
pai de Isinha para assinar a documentação, pois sua filha não iria voltar para
casa de forma alguma. Foi o que aconteceu, o pai não enxergando outra solução
assinou os papéis. Documentos assinados, casados de papel passado e já era
oficial. Porém a parte que Isinha não ia voltar para casa de forma alguma não
foi tão real, acabou que os dois foram morar na sua antiga casa juntos dos
pais. O pai da moça virou pai de Raimundo, o tratou como filho, um pai que ele
nunca teve (palavras que ouvi da boca do próprio).
A vida
foi seguindo e outras coisas foram acontecendo, no começo Didico deixava Isis
na escola de bicicleta, sentada na garupa. Depois em uma motocicleta e mais
tarde em um belo fusca. Passou de cabo para sargento, Isis passou
a trabalhar na escola técnica e assim conseguiram construir sua própria
casa. Com ajuda no pai da garota foi colocado tijolo por tijolo no terreno.
Logo depois os filhos chegaram, o primeiro um homem, depois gêmeos e junto com
eles o susto de ter dois meninos de uma só vez em um parto normal e por último
veio a esperança de ser uma menina e colocar o tão sonhado nome que desejavam.
Fizeram o enxoval todo cor de rosa, cheio de bonecas e frescuras de menininhas,
a esperança acabou quando nasceu a criança e o enxoval praticamente foi todo
trocado, mais um homem encheu os dois de alegria.
Soa como a família perfeita, não é? Para mim sim, mas (como tudo na vida tem esse bendito mas) Leite era militar, cheio de regras, ignorâncias e brutalidade, só que também era um poeta. Suas poesias quase sempre falavam da menina que já era uma mulher, dos seus filhos, da lua e do seu cigarro (que hoje não usa mais), se titulava de "O Lobo solitário", era e é amante da a lua e dizia que ela era a sua única companhia. Três décadas depois, Isis não suportou as regras, ignorâncias, brutalidade e pediu a separação, 1992, ano que eu nasci também foi um ano de muito sofrimento para os dois. Mesmo com todas as palavras escritas, Isinha achava que faltava aquelas palavras saírem do papel e virarem atitudes de amor. Ele não queria a separação, a amava, do jeito dele, mas amava. Vou contar que ela também o amava, mas mesmo amando não suportava mais as ignorâncias. Ele correu atrás dela por vários meses, fez quase tudo para tê-la de volta, lutou ao máximo para não perdê-la, mas de nada adiantou, ela havia decidido seguir em frente sem ele ao seu lado, meio infeliz, mas com a certeza de que seria o melhor. Agora sim, mais que nunca ele era o Lobo solitário.
Soa como a família perfeita, não é? Para mim sim, mas (como tudo na vida tem esse bendito mas) Leite era militar, cheio de regras, ignorâncias e brutalidade, só que também era um poeta. Suas poesias quase sempre falavam da menina que já era uma mulher, dos seus filhos, da lua e do seu cigarro (que hoje não usa mais), se titulava de "O Lobo solitário", era e é amante da a lua e dizia que ela era a sua única companhia. Três décadas depois, Isis não suportou as regras, ignorâncias, brutalidade e pediu a separação, 1992, ano que eu nasci também foi um ano de muito sofrimento para os dois. Mesmo com todas as palavras escritas, Isinha achava que faltava aquelas palavras saírem do papel e virarem atitudes de amor. Ele não queria a separação, a amava, do jeito dele, mas amava. Vou contar que ela também o amava, mas mesmo amando não suportava mais as ignorâncias. Ele correu atrás dela por vários meses, fez quase tudo para tê-la de volta, lutou ao máximo para não perdê-la, mas de nada adiantou, ela havia decidido seguir em frente sem ele ao seu lado, meio infeliz, mas com a certeza de que seria o melhor. Agora sim, mais que nunca ele era o Lobo solitário.
Já faz
20 anos que os dois estão separados, idosos, vivendo um longe do outro, Didico
casou novamente com uma moça 45 anos mais jovem que ele, teve outro filho,
dessa vez uma menina e pós o tão sonhado nome, mas o grande segredo (que não é
tão segredo assim) é que os
dois ainda se amam, ele ainda fica sentado ouvindo as músicas que lembram o
tempo que vivia junto dela e ela nega qualquer sentimento, diz que graças a
Deus que acabou, porém ainda mantém os olhos distantes quando o assunto é ele.
Já li as poesias de Leite, todas lindas, profundas e carregadas, inundadas de
sentimento, seja de amor ou dor.
Eu não
conto, mas seria totalmente a favor dos dois voltarem, esquecerem de todas as
coisas, não olhar para trás, manter o foco no futuro e aproveitar o resto de
suas vidas um ao lado do outro, mas isso com certeza não irá acontecer, os dois
já seguiram adiante, nenhum está disposto a mudar pelo outro, nenhum dos dois
vai voltar atrás e os dois acreditam que já se passou tempo demais, o melhor é deixar como está. Já disse e repito, grandes histórias também têm finais tristes, essa é a
verdade. Resta-me ser consolada pela certeza que mesmo com tudo isso eles são felizes.
Já faz tempo e agora na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais ♫
