As emoções são nossa própria vida, uma espécie de linguagem na qual expressamos percepções internas; são sensações que ocorrem em resposta a fatores geralmente externos. São fortes, passageiras; intensas, mas não imutáveis. Isso quer dizer que o que hoje nos emociona, amanhã poderá não nos emocionar mais.
Essa força e mutabilidade foi expressa nesse poema de Vinicius de Moraes:
"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Seu título.
Imagino o quanto deve ser difícil pra alguém levantar da
cama sem realmente poder levantar, se deparar com uma a vontade de andar todos
os dias e não poder. Sentir a dor de realmente querer algo que não se poder ter.
A espera de um milagre, de um desejo inexplicável. As coisas mínimas também
parecem ser difíceis, cada um tem os seus medos, tem as suas frustações, as
suas dificuldades. O que pra você parece uma formiga, pode parecer um dragão
para mim. Coisas mínimas, como manchas na pele, sejam elas de qualquer ferida,
ou de tanto sol, revelam quem você é, o quanto você trabalhou, ou o quanto a
sua vaidade falou mais alto.
Sonhos que nós sempre buscamos, alguns são sonhos que vão
fazer de você alguém. Pode parecer loucura viver de sonhos, mas quem não vive?
A nossa vida é um sonho, nós somos sonhos. Alguém poderia acreditar se um transeunte
qualquer chegasse para você dizendo que existiria um objeto no qual uma pessoa
do outro lado do mundo poderia ouvir a sua voz? Diriam que seria loucura, que
seria sonho. E aqui estamos nós, vivendo com o telefone como se fosse uma coisa
extremamente natural, o que é, mas eu ainda consigo me surpreender com tal
coisa.
Os seus sonhos vão te seguindo, alguns você consegue
realizar, outros você deixa pra trás. E isso tudo vai da fase que você vive. Os
adolescentes sonham em passar no vestibular. Sonho esse que muitos deles almejam
que muitos buscam e mais ainda, que batalham. Imagina o quanto deve ser difícil
passar nos principais pontos de troque da UFMA e ver todas aquelas pessoas,
todos aqueles calouros, pintados, sorrindo e pedindo dinheiro com a maior
felicidade da vida, pessoas essas que agora são chamadas de universitários. E
como ele queria ser chamado assim, como ele desejava isso... Ele pode, é só
lutar! Os jovens sonham em se formar, ter um bom emprego e arrumar uma pessoa
pra vida toda. Os adultos sonhos em ver os seus filhos sonhando.
Pra mim o pior é pensar nas pessoas, nas crianças passando
fome, sedentas de comida, de água, de amor. E os pais, ao ver seus filhos,
pedindo comida, ou até mesmo morrendo por falta. Eles que dariam a sua própria
vida por um prato de comida para alimentar o seu pequeno. E como essas pessoas
podem sonhar? Difícil é saber que existem pessoas que precisam tanto de ajuda,
e que nós estamos aqui, de braços cruzados, assistindo a tudo, e esperando não
sei o que. Podemos, DEVEMOS levantar e ajudar o próximo. Não a nada mais
perfeito do que dar carinho para aqueles que realmente precisam de carinho.
Que as suas mãos se encham de calos, que elas fiquem
ásperas, mas que seja para mostrar o quanto trabalhar pesado pra fazer disso
que nós chamamos de mundo um lugar melhor é gratificante. Que nós possamos
sentir prazer em fazer o bem, em realizar sonhos, em vencer obstáculos. Juntar
as mãos, as mentes, os corações. Esse é o meu maior sonho.
Seja com o seu vizinho, que precisa de uma xícara de açúcar,
daquela pessoa que pede um prato de comida, daquela que mora de baixo da ponte,
que precisa tanto de roupas e de palavras verdadeiras, ou as que estão do outro
lado do mundo que precisam de uma oração, que precisam ser lembradas. Faça
isso, ajude. Realize os seus sonhos, ajude a realizar os dos outros, e não só a
realizar, mas a fazer nascer. Ajude a fazer o seu, o meu, o nosso mundo um
lugar mais cheio de um dos sentimentos mais preciosos que existem, a compaixão!
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Foi um dia ruim!
Hospitais são uma merda mesmo, me desculpe a expressão, mas
é uma das poucas palavras que eu acho pra definir, na verdade tem bastantes, porém nenhuma que cabe tão bem no momento como essa. Hoje, dia 14 de novembro eu
percebi o quanto está no hospital é ruim, ninguém vai lá pra comemorar
aniversário, beber uma cervejinha com os amigos ou só pra olhar a paisagem.
Ninguém vai ao hospital querendo ir. Ninguém é feliz ali.
Os hospitais tem o cheiro ruim, ninguém parece bonito por
lá, as cores são feias, os médicos são frios e o que todo mundo deseja é sair
de lá o mais rápido possível. Quando dizem que ter saúde é o principal isso é
mesmo verdade. Na emergência, na observação, internado, NADA é bom. Nem mesmo a
parte de receber visitas é boa, tenho certeza que qualquer um daria tudo pra
não está naquele lugar. É triste, é depressivo. É tanto que as pessoas vão para
o lado de fora respirar um ar diferente, pegar um vento e tentar pensar em
qualquer outra coisa.
Eu também fiz isso, fui tentar pensar em qualquer outra
coisa, mas só conseguia pensar em como eu queria que aquilo acabasse e com o
rosto cheio de lágrimas percebi que eu não era a única ali com o semblante
ruim, ninguém sorria, ou quando sorria era pra tentar amenizar a dor. Pessoas
doentes, com dor, no leito de morte, podendo receber poucas visitas. Odeio ter
a sensação de perder algo que eu amo tanto, o meu cérebro não se acostuma com
isso. Eu não me aguento tudo desmorona,
e ai você pensa em quem você queria que estivesse ali do seu lado pra lhe
abraçar e lhe oferecer um ombro, um ombro amigo.
No final das contas tudo que me parecia digno era mostrar
força. Um dos homens que eu mais amo na minha vida precisava de mim e eu o
queria ver bem, e ainda quero. Doença nenhuma, cirurgia nenhuma vai fazer ele “cair”,
ele é forte, meu tenente. Termino minha
noite fazendo minha oração e pedindo saúde a ele, escrevo com os olhos cheios d’água,
porque eu não vou aguentar não ter ele por perto, não vou. Ver alguém que eu amo
em um hospital, deitado em uma cama com aqueles lençóis me dá um calafrio, me
dá uma angústia. Mas eu sei que tudo vai dá certo, eu confio.
E ai eu percebo o que é o amor e o que ele faz conosco.
Escrevo sem me preocupar, é só pra descarregar as palavras
que eu não disse a ninguém. Dizem que escrever é terapêutico, sem conseguir
dormir a única coisa que me resta fazer é isso, amanhã é um novo dia e tudo vai
ficar bem. Boa noite, querido leitor.
Sinto-me bem mais leve agora.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
.aDeus
Era segunda-feira quando ele apareceu dizendo que eu
poderia ir que eu poderia arrumar as minhas malas e partir. Eu como adolescente
perdida, não sabia se ria se chorava ou se sei lá, ia logo procurar as minhas
passagens e ligar gritando pros meus amigos dizendo que durante cinco meses
ninguém me veria. O que eu fiz foi apenas chegar mais perto dele e lhe abraçar
bem forte e olhar pro rosto da sua esposa e ver os olhos cheios d’águas.
Tudo parecia escuro para uma despedida, como seria me
despedir de tudo? Dos meus pais, da minha família, dos meus amigos, da minha
rua sem saída, da padaria que fica na avenida, da praia que eu poderia ir
quando tivesse vontade, do número do táxi que eu sabia de cabeça, de sempre
sair e encontrar alguém conhecido. Foi ai que de fato percebi que precisava me
mudar, mentira, eu já havia percebido antes.
Pronto, recebi o sim que eu precisava e isso já era
suficiente. Partir com uma felicidade inexplicável, era a realização de um
sonho que eu não pensei que seria realizado tão cedo. Morar “sozinha”, longe de
casa, longe do meu quarto e das minhas acomodações. Eu iria criar novas coisas,
novos relacionamentos, um novo quarto, uma nova família. Passaria a ser
conhecida não como a filha de ciclano ou como a ex-namorada de fulano e sim
como a Jamille, aquela menina de cabelos pretos, como eu já era conhecida em
alguns lugares da minha cidade, mas agora sem fazer referência a ninguém, só eu
mesma.
Quando cheguei tudo me parecia estranho, a minha cama agora
era um beliche, não tinha guarda-roupa, só umas estantes pelo quarto que eu dividia
com outras três meninas, uma loira, uma negra e uma japa. Uma mistura de tudo
que se poderia ter em um só quarto. O lugar era no meio do nada, o que tinha ao
redor era a casa dos amigos e o gauchão, uma churrascaria que vendia um pão com
carne delicioso. Era tudo diferente, outro cheiro, não sabia onde ficava as
tomadas e nem aonde era o banheiro. Percebi que as mudanças causam isso na
gente, uma certa confusão, sem saber direito o que está acontecendo, mas que
mesmo assim faz bem. Com o tempo passei a identificar os sons, a reconhecer o
cheiro, a saber, onde estava às tomadas e de ir facilmente no escuro ao
banheiro.
Dai em diante notei que precisava de bem pouco pra viver
feliz, vi quantas roupas eu tinha sem usar, quantos sapatos eu tinha só pra
dois pés. Dei-me conta de que poucas coisas me importavam de verdade. Então
abri mão de um bocado de coisas, e prometi pra mim mesma que quando voltasse algumas
coisas iriam mudar.
Fiz novas escolhas, tracei um novo caminho, voltei mais
decidida, menos orgulhosa, mais paciente e mais disposta a pensar no outro como
a mim mesma. Pra isso tive que perder algumas coisas? Sim tive, mas ai lembro-me
de algo que li: “Preciso aceitar que toda escolha implica perdas, e toda
mudança pede um adeus. Não é preciso negar o passado – até porque preciso das
lições dele para fazer um presente (e um futuro) melhor. As memórias felizes
merecem ser guardadas. Mas com realismo – e sem o apego que cega para o que não
foi tão bom.”
Enfim viajei demais, conheci oito lugares diferentes, saí
do Brasil, curtir pra caramba e o melhor de tudo, fiz o que eu mais amo fazer,
levar amor e alegria a quem precisa, juntei tudo e posso dizer que até agora
foram os melhores cinco meses que eu já vivi. E como eu sinto saudade.
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