quarta-feira, 30 de novembro de 2011

30 de novembro!

As emoções são nossa própria vida, uma espécie de linguagem na qual expressamos percepções internas; são sensações que ocorrem em resposta a fatores geralmente externos. São fortes, passageiras; intensas, mas não imutáveis. Isso quer dizer que o que hoje nos emociona, amanhã poderá não nos emocionar mais. 
Essa força e mutabilidade  foi expressa nesse poema de Vinicius de Moraes: 


"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Seu título.


Imagino o quanto deve ser difícil pra alguém levantar da cama sem realmente poder levantar, se deparar com uma a vontade de andar todos os dias e não poder. Sentir a dor de realmente querer algo que não se poder ter. A espera de um milagre, de um desejo inexplicável. As coisas mínimas também parecem ser difíceis, cada um tem os seus medos, tem as suas frustações, as suas dificuldades. O que pra você parece uma formiga, pode parecer um dragão para mim. Coisas mínimas, como manchas na pele, sejam elas de qualquer ferida, ou de tanto sol, revelam quem você é, o quanto você trabalhou, ou o quanto a sua vaidade falou mais alto.
Sonhos que nós sempre buscamos, alguns são sonhos que vão fazer de você alguém. Pode parecer loucura viver de sonhos, mas quem não vive? A nossa vida é um sonho, nós somos sonhos. Alguém poderia acreditar se um transeunte qualquer chegasse para você dizendo que existiria um objeto no qual uma pessoa do outro lado do mundo poderia ouvir a sua voz? Diriam que seria loucura, que seria sonho. E aqui estamos nós, vivendo com o telefone como se fosse uma coisa extremamente natural, o que é, mas eu ainda consigo me surpreender com tal coisa.
Os seus sonhos vão te seguindo, alguns você consegue realizar, outros você deixa pra trás. E isso tudo vai da fase que você vive. Os adolescentes sonham em passar no vestibular. Sonho esse que muitos deles almejam que muitos buscam e mais ainda, que batalham. Imagina o quanto deve ser difícil passar nos principais pontos de troque da UFMA e ver todas aquelas pessoas, todos aqueles calouros, pintados, sorrindo e pedindo dinheiro com a maior felicidade da vida, pessoas essas que agora são chamadas de universitários. E como ele queria ser chamado assim, como ele desejava isso... Ele pode, é só lutar! Os jovens sonham em se formar, ter um bom emprego e arrumar uma pessoa pra vida toda. Os adultos sonhos em ver os seus filhos sonhando.
Pra mim o pior é pensar nas pessoas, nas crianças passando fome, sedentas de comida, de água, de amor. E os pais, ao ver seus filhos, pedindo comida, ou até mesmo morrendo por falta. Eles que dariam a sua própria vida por um prato de comida para alimentar o seu pequeno. E como essas pessoas podem sonhar? Difícil é saber que existem pessoas que precisam tanto de ajuda, e que nós estamos aqui, de braços cruzados, assistindo a tudo, e esperando não sei o que. Podemos, DEVEMOS levantar e ajudar o próximo. Não a nada mais perfeito do que dar carinho para aqueles que realmente precisam de carinho.
Que as suas mãos se encham de calos, que elas fiquem ásperas, mas que seja para mostrar o quanto trabalhar pesado pra fazer disso que nós chamamos de mundo um lugar melhor é gratificante. Que nós possamos sentir prazer em fazer o bem, em realizar sonhos, em vencer obstáculos. Juntar as mãos, as mentes, os corações. Esse é o meu maior sonho.
Seja com o seu vizinho, que precisa de uma xícara de açúcar, daquela pessoa que pede um prato de comida, daquela que mora de baixo da ponte, que precisa tanto de roupas e de palavras verdadeiras, ou as que estão do outro lado do mundo que precisam de uma oração, que precisam ser lembradas. Faça isso, ajude. Realize os seus sonhos, ajude a realizar os dos outros, e não só a realizar, mas a fazer nascer. Ajude a fazer o seu, o meu, o nosso mundo um lugar mais cheio de um dos sentimentos mais preciosos que existem, a compaixão















segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Foi um dia ruim!


Hospitais são uma merda mesmo, me desculpe a expressão, mas é uma das poucas palavras que eu acho pra definir, na verdade tem bastantes, porém nenhuma que cabe tão bem no momento como essa. Hoje, dia 14 de novembro eu percebi o quanto está no hospital é ruim, ninguém vai lá pra comemorar aniversário, beber uma cervejinha com os amigos ou só pra olhar a paisagem. Ninguém vai ao hospital querendo ir.  Ninguém é feliz ali.
Os hospitais tem o cheiro ruim, ninguém parece bonito por lá, as cores são feias, os médicos são frios e o que todo mundo deseja é sair de lá o mais rápido possível. Quando dizem que ter saúde é o principal isso é mesmo verdade. Na emergência, na observação, internado, NADA é bom. Nem mesmo a parte de receber visitas é boa, tenho certeza que qualquer um daria tudo pra não está naquele lugar. É triste, é depressivo. É tanto que as pessoas vão para o lado de fora respirar um ar diferente, pegar um vento e tentar pensar em qualquer outra coisa.
Eu também fiz isso, fui tentar pensar em qualquer outra coisa, mas só conseguia pensar em como eu queria que aquilo acabasse e com o rosto cheio de lágrimas percebi que eu não era a única ali com o semblante ruim, ninguém sorria, ou quando sorria era pra tentar amenizar a dor. Pessoas doentes, com dor, no leito de morte, podendo receber poucas visitas. Odeio ter a sensação de perder algo que eu amo tanto, o meu cérebro não se acostuma com isso.  Eu não me aguento tudo desmorona, e ai você pensa em quem você queria que estivesse ali do seu lado pra lhe abraçar e lhe oferecer um ombro, um ombro amigo.
No final das contas tudo que me parecia digno era mostrar força. Um dos homens que eu mais amo na minha vida precisava de mim e eu o queria ver bem, e ainda quero. Doença nenhuma, cirurgia nenhuma vai fazer ele “cair”, ele é forte, meu tenente.  Termino minha noite fazendo minha oração e pedindo saúde a ele, escrevo com os olhos cheios d’água, porque eu não vou aguentar não ter ele por perto, não vou. Ver alguém que eu amo em um hospital, deitado em uma cama com aqueles lençóis me dá um calafrio, me dá uma angústia. Mas eu sei que tudo vai dá certo, eu confio.
E ai eu percebo o que é o amor e o que ele faz conosco.
Escrevo sem me preocupar, é só pra descarregar as palavras que eu não disse a ninguém. Dizem que escrever é terapêutico, sem conseguir dormir a única coisa que me resta fazer é isso, amanhã é um novo dia e tudo vai ficar bem. Boa noite, querido leitor.
Sinto-me bem mais leve agora.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

.aDeus

Era segunda-feira quando ele apareceu dizendo que eu poderia ir que eu poderia arrumar as minhas malas e partir. Eu como adolescente perdida, não sabia se ria se chorava ou se sei lá, ia logo procurar as minhas passagens e ligar gritando pros meus amigos dizendo que durante cinco meses ninguém me veria. O que eu fiz foi apenas chegar mais perto dele e lhe abraçar bem forte e olhar pro rosto da sua esposa e ver os olhos cheios d’águas.
Tudo parecia escuro para uma despedida, como seria me despedir de tudo? Dos meus pais, da minha família, dos meus amigos, da minha rua sem saída, da padaria que fica na avenida, da praia que eu poderia ir quando tivesse vontade, do número do táxi que eu sabia de cabeça, de sempre sair e encontrar alguém conhecido. Foi ai que de fato percebi que precisava me mudar, mentira, eu já havia percebido antes.
Pronto, recebi o sim que eu precisava e isso já era suficiente. Partir com uma felicidade inexplicável, era a realização de um sonho que eu não pensei que seria realizado tão cedo. Morar “sozinha”, longe de casa, longe do meu quarto e das minhas acomodações. Eu iria criar novas coisas, novos relacionamentos, um novo quarto, uma nova família. Passaria a ser conhecida não como a filha de ciclano ou como a ex-namorada de fulano e sim como a Jamille, aquela menina de cabelos pretos, como eu já era conhecida em alguns lugares da minha cidade, mas agora sem fazer referência a ninguém, só eu mesma.
Quando cheguei tudo me parecia estranho, a minha cama agora era um beliche, não tinha guarda-roupa, só umas estantes pelo quarto que eu dividia com outras três meninas, uma loira, uma negra e uma japa. Uma mistura de tudo que se poderia ter em um só quarto. O lugar era no meio do nada, o que tinha ao redor era a casa dos amigos e o gauchão, uma churrascaria que vendia um pão com carne delicioso. Era tudo diferente, outro cheiro, não sabia onde ficava as tomadas e nem aonde era o banheiro. Percebi que as mudanças causam isso na gente, uma certa confusão, sem saber direito o que está acontecendo, mas que mesmo assim faz bem. Com o tempo passei a identificar os sons, a reconhecer o cheiro, a saber, onde estava às tomadas e de ir facilmente no escuro ao banheiro.
Dai em diante notei que precisava de bem pouco pra viver feliz, vi quantas roupas eu tinha sem usar, quantos sapatos eu tinha só pra dois pés. Dei-me conta de que poucas coisas me importavam de verdade. Então abri mão de um bocado de coisas, e prometi pra mim mesma que quando voltasse algumas coisas iriam mudar.
Fiz novas escolhas, tracei um novo caminho, voltei mais decidida, menos orgulhosa, mais paciente e mais disposta a pensar no outro como a mim mesma. Pra isso tive que perder algumas coisas? Sim tive, mas ai lembro-me de algo que li: “Preciso aceitar que toda escolha implica perdas, e toda mudança pede um adeus. Não é preciso negar o passado – até porque preciso das lições dele para fazer um presente (e um futuro) melhor. As memórias felizes merecem ser guardadas. Mas com realismo – e sem o apego que cega para o que não foi tão bom.”
Enfim viajei demais, conheci oito lugares diferentes, saí do Brasil, curtir pra caramba e o melhor de tudo, fiz o que eu mais amo fazer, levar amor e alegria a quem precisa, juntei tudo e posso dizer que até agora foram os melhores cinco meses que eu já vivi. E como eu sinto saudade.
E lembrem-se os maiores adeus são novos começos.