quarta-feira, 30 de maio de 2012

O meu tempo é o presente

Sou do tipo não muito distante de romances, vida a dois e histórias bestas. Gostos dessas coisas, devo confessar, porém também devo ser honesta e dizer que apesar de gostar, gosto mais ainda de ficar distante disso tudo. Não é por nada, mas quem me conhece sabe do meu cérebro racional e da minha muita exigência.
É ridículo elogios sempre iguais, aqueles que dizem como eu sou linda, meiga, delicada e cheirosa. Vamos ser mais criativos e mais sinceros também, procurar me conhecer, querer saber as minhas principais qualidades e os meus piores defeitos isso sim me atrai. Reparar no meu nariz de coração, na minha mania de coçar o nariz, de ficar de boca aberta e de mexer nas unhas quando fico tensa com um filme, isso sim são elogios indiretos, esses elogios é que me interessam.
Gosto de escritos reais, não das mesmas palavras que todos os namorados dizem um pro outro (apesar de já ter dito), hoje prefiro um "eu te amo" menos dito mais verdadeiro e mais forte. Tanto prefiro que quando achar alguém que seja capaz disso, talvez eu assuma a responsabilidade de me aproximar dessas coisas e deixar o meu lado egoísta para trás, mas não espero por nada, longe de mim, eu vivo sem esperar isso tudo, pois até quem espera aguarda ansiosamente, eu apenas vivo, ando seguindo com calma e muita diversão.
Tudo isso não é nada demais, é só para ressaltar que agora não é o meu momento e que relacionamento a dois não é algo presente nos meus atuais planos para o hoje, sou só uma adolescente indo para uma nova fase, a juventude. E com muitas vontades individuais, desejos próprios para pensar em outro alguém dessa forma que descrevo. 
Eu até já pensei diferente, só que hoje eu escrevo assim e amanhã já nem sei mais, posso continuar, parar ou posso voltar, só que o meu tempo é o presente.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Top 10: Trilha sonora


Por que não lembrar de coisas boas que fizeram a minha história ser mais emocionante? Eu não vejo motivo para não colocar nessas ‘linhas’ uma parte da minha trilha sonora. Vai ai músicas que por alguma razão (e a psicologia explica, rs) estão no pré-consciente e me trazem lembranças inevitáveis.
Partida de Futebol – Skank: É minha infância pura, toda vez que escuto lembro-me das minhas férias. Todos os primos juntos dentro de um carro voltando do cinema ouvindo essa música, na parte específica da música “(...) quem não sonhou em ser um jogar de futebol?” o meu primo mais velho grita “EU”. Nunca me esqueci disso, vai entender por que até hoje quando escuto essa parte eu grito a mesma coisa.

Papo Reto – Charlie Brown Jr.: Estava na 5° série e tinha um amigo (uma paixão de criança) que adorava Charlie Brown, aprendi a música porque ele gostava, até hoje consigo cantar a música toda.

                                    


Big Girls Don't Cry - Fergie: 7° série, sentada no fundo da sala dividindo o fone de ouvido com a minha melhor amiga (que é até hoje) enquanto rolava alguma aula chata que eu não lembro, eu fico feliz só de lembrar. Penso mais um pouco e lembro-me de outra música que escutávamos juntas. No auge do nosso mau gosto musical, ouvindo em alto e bom som “Adultério”, cantando e dançando loucamente essa música ridícula, é para eu lembrar e sorrir sozinha.

Me namora – Edu Ribeiro: A música lançou na rádio e virou um vício na minha boca e da minha amiga, a mesma que eu escrevi sobre, ainda pouco. 8° série estava gostando de um menino e essa música parecia perfeita para um começo de romance e foi o que aconteceu, no final do ano letivo estávamos namorando.


My sacrifice – Creed: Não sabia que uma música ia me fazer lembrar do meu primeiro namorado, afinal quando namorávamos não tínhamos essa história de “a nossa música”. Mas depois do termino, ouvindo a música percebi o quanto essa trazia a minha mente o que nós tínhamos vivido.


Amor por Retribuição – Kid Abelha: A letra não tem nada a ver, não se encaixa em nada que vivemos, mas essa música só me faz lembrar do meu 2° namorado. Acho que foi pelo fato de que quando estava pintando um quadro para dar de presente pra ele essa era uma música que eu escutava e cantava em voz alta e porque sempre que estava indo me encontrar com ele andando pelas ruas da minha bela cidade essa música tocava no meu mp3. É louco como a nossa mente é.


Sweet Jah –  Braddigan: Pense em uma música que me faz lembrar o tempo que eu morei em Minas Gerais, é essa. Tem várias outras, mas essa me faz lembrar dos meus dias de noite sentada no chão conversando com os novos amigos naquele friozinho gostoso. Que saudade!


Boa Pessoa – A banda mais bonita da cidade: Foz do Iguaçu, no meu mp3 só tocava as músicas da banda que tinha acabo de estourar. Tardes frias procurando sol para se aquecer, muita amizade, geada e principalmente muito amor pelo próximo. Tempo incomparável.


The Lazy Song – Bruno Mars: Voltando da casa de praia com os meus queridos essa música toca na rádio. Sentada no banco dá frente olho pro meu amigo e faço um comentário sobre a música. E até hoje quando escuto a música me lembro dessa cena besta, mas que marcou aquele dia.


Eu escolho Deus – Thalles Roberto: Me faz pensar no presente e no futuro.


E por fim, fica na minha mente um monte de outras músicas, de outras lembranças que me fazem ficar feliz. Nunca pense que o que eu vivi me fez mal, gosto de lembrar justamente por isso, eu amadureci e cada coisa me fez bem de uma forma especial. Não tenho o que reclamar, muito menos falar mal. Eu agradeço pelas músicas e por tudo vivido!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Amanheceu


03 de agosto de 1990. Jorge voltava para casa depois de um dia feliz por ter comprado a casa dos sonhos dele e de sua esposa Marieta, no Rio de Janeiro. Costumava sempre retornar às 19h, mas nesse dia, por ter ido fechar o negócio logo após o trabalho ele voltava às 21h. No caminho ele ouvia música alta e cantava alegremente, era sexta-feira e não via a hora de chegar em casa, contar a novidade a sua esposa e tomar um bom vinho na companhia de quem ele mais amava. Marieta estava grávida de 4 meses e Jorge só pensava na vida que os três iriam levar na nova casa.
Estava na Avenida principal perto de sua casa quando um carro desgovernado veio em sua direção, Jorge tentou desviar, mas os dois estavam em alta velocidade e os carros se bateram, o carro de Jorge capotou e o outro bateu em um poste. Os dois ficaram inconscientes e foram parar no hospital. Marieta em casa estranhava a demora do marido, mas logo recebeu uma ligação da policia dizendo que o seu marido tinha sofrido um acidente e estava no hospital, correu para lá junto com a sua irmã mais velha, chegando ao local logo lhe disseram: “Jorge estava muito ferido, o acidente foi grave e ele não resistiu, sentimos muito”. Ela não sabia o que pensar o que dizer, porém sabia muito bem o que sentia. A vontade de morrer era o mínimo, naquele momento ela descobriu como amava aquele homem e como queria dizer isso para ele pelo menos mais uma vez, isso não seria possível.
A criança no seu ventre continuava a crescer e foi isso que deu forças para Marieta continuar e querer viver, não por ela, mas por aquela vida que era fruto da vida de Jorge. Com o passar dos meses foi se acostumando com a dor e descobriu que o homem que dirigia o outro carro estava bem, vivia em um bairro próximo ao seu e naquele dia ele voltava bêbado para casa após uma confraternização do trabalho. A única coisa que ela sentia era ódio, ódio daquele homem que foi o culpado pela morte do seu amado.  Prometeu a si mesmo que iria se vingar, que o faria sofrer como ela estava sofrendo. Na sua mente só vinha à imagem de Jorge no caixão, deixando uma vida toda para trás.
Marieta planejou uma vingança, um plano cruel e se preparou para no dia seguinte ir à casa do rapaz, ela limpou a arma que tinha em casa e colocou na cabeceira da cama. Sem conseguir dormir, em prantos se ajoelhou e gritava perguntado: “Deus por que permitiu isso?”. Chorou e orou até pegar no sono. No dia seguinte ao invés de levar a arma, levou uma bíblia. Foi até a casa do assassino do seu marido, tocou a campainha e ele abriu a porta com um copo de cerveja na mão totalmente alegre. “Lembra-se do acidente do dia 03 de agosto que você sofreu e que um pai de família morreu? Esse pai era o meu marido e ele ia ser pai dessa criança que eu carrego na minha barriga”. O rosto do homem mudou de expressão e ele não conseguiu olhar nos olhos de Marieta. Logo depois ela falou algo que só entenderia totalmente depois de um tempo: “Eu não vim aqui para lhe agredir e nem lhe ferir com as minhas palavras, vim para lhe dá isso de presente e dizer que eu estou lhe perdoando”.
Em meio a um turbilhão de sentimentos, Marieta escolheu a melhor coisa, escolheu perdoar. Quando ela virou as costas, deixando o rapaz sem palavras ela sentiu paz, sentiu um alívio profundo, conseguiu respirar profundamente como há tempos não conseguia e voltou para casa feliz. O rapaz prometeu a si mesmo que nunca mais iria beber, começou a ler a bíblia que ganhou e decidiu viver de forma diferente, Marieta nunca soube disso. O perdão mudou a sua própria vida e a do homem. Sem ela saber, a atitude dela fez a diferença e mudou a vida de outro alguém. Ela escolheu fazer diferente.
Entendeu que perdoar não é esquecer, pois se lembrava de tudo quase todos os dias, mas percebeu que aquilo não lhe machucava mais, entendeu que todos somos passíveis de erros, somos falhos e que todos merecem uma segunda chance, até mesmo os piores. O perdão exige tempo, força, coragem e amor, amor pelo outro e por si mesmo. Não se consegue evitar traumas e erros, é verdade, mas permite que depois disso venha à paz e a vontade de recomeçar.
Você é capaz? Eu tenho certeza que sim.
É como passar dias no escuro e sorrir ao ver o sol nascer.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Peregrino

Dia de semana, sentada na mesa de um aniversário de um parente da minha tia, ao meu lado estava minha prima, conversávamos sobre coisas importantes e sérias quando recebo uma ligação, ouvi atenta, ao fundo a voz que falava de uma promoção aérea que estava tendo e que passagens para Minas Gerais estava a preço de banana, eu simplesmente comprei minhas passagens junto com um amigo e no final da ligação notei, "caramba, voltarei a Pitangui e vou rever meus queridos amigos". Sonho! 
Comprei as passagens mais de um mês antes e desse dia em diante foi esperar para correr atrás do lugar que eu tinha passado os melhores meses que eu já tive. Dia 26 de abril desembarquei em Minas Gerais, começou a emoção encontrando uma amiga do Paraná que eu não via a três meses, correndo de braços abertos na rodoviária e me apertando, com um aperto que significava saudade. Tive a oportunidade de conhecer um negão gente fina pra caramba, um branquinho com fala mineira engraçada e que falou do meu sanduíche enorme. Saímos, à noite era uma criança para todos nós, loucos ansiosos por um barzinho, boa música e bom papo e com ônibus saindo só as 05:45. Rodamos e achamos um bar super show, daqueles que você não encontra em São Luís - MA, música ao vivo e uma biblioteca, cheia de livros sobre tudo, inclusive sobre e minha linda psicologia. Não satisfeitos fomos andar, rodamos MUITO e não convém da detalhes, mas no final encontramos um bar legal, com boa bebida (boa = a barata. Rs) e deliciosas batatas fritas. 
Bom papo, jogando conversa fora, sendo turista, quer algo mais? Eu não. Voltamos para a rodoviária e ficamos por lá, deitados pelo chão, feito mochileiros sem lugar para dormir esperando o ônibus. "Arrumamos" confusão com o cara deitado perto de nós pelo alto nível das nossas risadas, nem queira imaginar do que aquele querido, meigo e delicado moço nos xingou, não queira mesmo. 
Partimos pra Pitangui, chegando na base de Jocum, eu senti aquele cheiro que me dava uma nostalgia louca e na mesma hora que pisei ali lembrei de um ano trás, quando eu chegava com minhas malas para passar cinco meses e que eu nem imaginava que tantas coisas iriam mudar e que essas mudanças me fariam tão bem. Aquele lugar no meio do nada me deixou manchas que eu nunca quero lavar, como eu disse "o bom filho sempre a casa retorna". Sabe a sensação de pertencer aquilo? Aquela rotina, aquelas tarefas e comunhão, não aquele lugar, mas aquele estilo de vida. Tive essa sensação. 
Por fim, matei saudade do casal de amigos e das suas filhas que irão partir pra Nova Zelândia, colocamos o papo em dia, ouvimos novas histórias engraçadas e nos divertimos muito. Só não foi melhor pelo pouco tempo, queria ter matado a saudade, passar horas conversando com outros amigos, porém valeu cada dia, foi bom demais da conta, siô. 
O mais importante, vi que continuo andando pelo caminho que decidir seguir naquele lugar, o novo caminho que agora já não é tão novo assim. Eu sinto saudade de cada parte dali, do "meu" quarto que hoje dormem outras meninas, da "minha" cama que agora é ocupada por outra pessoa, do cheiro, da grama e principalmente das pessoas. É uma saudade gostosa.
E no final tudo acabou com gostinho de quero mais!

  

                                                                             


























http://www.youtube.com/watch?v=u5WiqJFq2-o - You can see that your home's inside of you