sábado, 9 de junho de 2012

A rosa de um Leonardo qualquer


Leonardo não sabia o que fazer naquele dia, ele pensava em escrever coisas para o seu amor que havia partido fazia anos, pensava em ser sincero e dizer o que queria para ela, mas não sabia se deveria. Já Rosa não pensava nem se quer em escrever um 'oi' tão direto, ela era uma daquelas mulheres que viviam de indiretas, textos prontos ou textos carregados de sentimentos, esses que só não viam/sentiam quem não queria. 
Eu posso falar para vocês que li alguns textos dela e afirmo que ali ainda existe algo, não sei ao certo o que é, porém aquelas palavras digitadas transpiram sentimento, e não posso dizer ao certo, pois acho que é uma mistura deles, é tipo cor, quando se mistura várias é complicado especificar cada uma.
Leonardo vivia bem, é um fato, como o próprio nome dele significa "forte como o leão", ele sabia dá os passos que queria, era corajoso e verdadeiro. Quando a deixou, foi exageradamente tudo isso, só que para sua infelicidade o tempo passou e novas palavras surgiram, arrependimentos, sentimento de que poderia ter feito melhor e lembranças boas, só as boas permaneceram. Algumas vezes se sentido culpado, se achando ridículo por tantas infantilidades, olhava para o passado e admitia que naquele tempo tudo fazia sentido, mas no presente só dizia a si mesmo uma das suas frases mais ditas "eu entendo, mas não justifica". Por isso ele pensava em escrever e não nas entre linhas, mas com um destinatário. 
Rosa também vivia bem, andava com um teor alcoólico elevado nas suas veias nos finais de semana, mas era uma mulher doce que sabia ser rude, os olhos dela tinham o brilho da emoção, tudo que para ela envolvesse isso fazia o maior sentido, era carregada desses sentimentos. Fazendo jus ao seu nome que lembra justamente tudo isso, emoção, doçura e rude como os espinhos. Diferente de Leonardo, guardava recordações ruins, até chegando a achar que tinha sido um erro toda aquela história. Ela na verdade (deixando claro que isso são minhas deduções) não entendia muito bem o que tinha acontecido com eles, Leonardo sabia disso e esse fato o deixava triste, pois sentia que deveria explicar as coisas, talvez por isso a necessidade de escrever. Apesar de também ter escolhido o fim, ela pensava que poderiam ter voltado, pois foi um belo fim para um recomeço.
Nada disso aconteceu, creio que para a tristeza dos dois, só que uma coisa é real, quando se vai seguindo, mesmo olhando para trás ninguém quer voltar, qualquer um quer continuar seguindo, o que não significa que não possa ter um cruzamento logo ali na frente. Assim eu penso e conversei com o Léo por esses dias sobre isso, mas ele foi sincero, como sempre e disse que mesmo às vezes pensando nisso e até muitas vezes querendo voltar, caminhar para trás, ele acha que o melhor é seguir em frente, sem nenhum tipo de esperança, disse que achava que tinha feito Rosa sofrer demais para correr o risco de machucá-la mais uma vez. 
Com tudo isso, depois desse papo estranho carregado de olhos cheios de lágrimas que chegavam até lembrar os de Rosa, eu começo a achar que aquele dia foi o fim mesmo. 
Eu fico triste, mas sei que os dois ainda tem muito pela frente, isso me conforta. Muitos romances acabam assim, com finais tristes, mas interessantes, só que muitos não gostam do desfecho, até mesmo os próprios atores.

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