quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

21 e o fim do mundo

Estão dizendo que o mundo irá acabar amanhã e como farei com você, conosco? Poderia me arrepender profundamente por ter lhe dito "espere mais um pouco, pra que tanta pressa?", mas sabe não consigo ter esse sentimento, o único que sinto é paz. Tem dias que você caminha bem perto, outros, mais longe ou será que sou eu que me afasto e me aproximo quase sempre? 
Não pergunto quem de nós erra, o pouco tempo já me permitiu bastantes erros, só que eu olho para trás e digo alto no meu pensamento "você tem sorte de não ter me conhecido no passado, eu seria uma namorada tão chata... ai como eu errei, rsrs". Mas, sabe, você tem o dom de focar nos meus acertos, é isso que eu acho lindo, mesmo que eu tenha 90% de defeitos, você sempre dá ênfase nos 10% de qualidade, como não admirar isso? Poucos são os que conseguem, estou aprendendo. 
Hoje eu consigo olhar e dizer "Vamos deixar isso pra lá? Esquece isso, que coisa sem propósito" e o melhor é ouvir "É verdade, chega aqui minha namorada que não quer ser namorada"... Que coisa boba, já somos um casal, é o fim do mundo mesmo, rs. Fora que percebo que muitas vezes você já faz parte dos meus planos, já consigo lhe encaixar neles e abandonar um pouco do meu individualismo, parece o fim do mundo, mas é o começo.
Se o mundo acabar mesmo (o que nós sabemos que não vai acontecer) eu só quero que fique claro que é verdade quando eu digo que você faz tanto sentido que me dá medo, que nós somos tão simples e tranquilos juntos que eu chego a pensar que é você é meio irreal, eu sou pessimista, tu sabes, desculpa. Mas como certo alguém me diz: "É pessimista, mas consegue sonhar como ninguém... Como pode?"
Enfim, isso tudo é só uma desculpa para escrever e jogar ao vento tudo que faz tanto sentido para mim. Isso não é paixão, nasceu do lado esquerdo do peito, mas não vai contra a minha razão, é afeto, admiração e umas coisinhas a mais. 


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Estou correndo pra você, meu bem

Eu sei lá como as coisas tomaram essa proporção, sei lá como você passou a se tornar o meu pensamento diário, não o único, mas sempre presente. Não sei, só sei que faço as palavras do meu amigo James Morrison as minhas: "You make it real for me". 
Eu sei lá o que acontece para eu não aceitar você por inteiro... Tenha paciência comigo, afinal o que é mais importante, o meu sentimento ou como você vai me apresentar para os seus amigos? Não desista de mim, eu estou correndo pra você, meu bem.
Aceite-me assim, certa e incerta, paciente e impaciente, bruta e carinhosa, amando e amando. Por favor, não vá sair de perto, basta caminhar por aqui, sendo a minha noção, minha direção. 


Você Torna As Coisas Reais

Há tanta loucura me rodeando
Tanta coisa acontecendo, que fica difícil respirar
Toda minha fé foi embora e você a traz de volta pra mim
Você torna as coisas reais pra mim
Quando não estou certo das minhas prioridades
Quando perdi a noção de onde deveria estar
E como água benta caindo sobre mim
Você torna as coisas reais pra mim
E eu estou correndo pra você, meu bem
Você é a única que me salvou
É por isso que eu tenho sentido a sua falta ultimamente
Porque você torna as coisas reais pra mim
Quando a minha cabeça está forte mas o meu coração está fraco
Estou cheio de arrogância e de incertezas
Mas não consigo achar as palavras, você ensina o meu coração a falar
Você torna as coisas reais pra mim
E eu estou correndo pra você, meu bem
Você é a única que me salvou
É por isso que eu tenho sentido a sua falta ultimamente
Porque você torna as coisas reais pra mim
Todo mundo está falando com palavras que eu não entendo
Você deve ser a única que sabe exatamente quem eu sou
E você brilha ao longe, espero que eu consiga chegar
Porque o único lugar onde eu quero estar é de volta, em casa, com você...
Acho que existe muito mais que eu tenho a aprender
Mas se você está aqui comigo eu sei qual direção seguir
Você sempre me dá algum lugar, algum lugar para onde eu posso correr
Você torna as coisas reais pra mim
E eu estou correndo pra você, meu bem
Você é a única que me salvou
É por isso que eu tenho sentido a sua falta ultimamente
Porque você torna as coisas reais pra mim
Você torna as coisas reais pra mim...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Aventura, meu amor.

Como toda história de amor a trilha sonora faz parte: http://www.youtube.com/watch?v=OXvRjxkXvBI

Lembro-me quando tinha 12 anos e fiz a minha primeira viagem de avião, destino Fortaleza - CE junto de mais dois amigos. Estava no começo da minha adolescência e não existe nada melhor para um adolescente do que novas e grandes experiências, certo? Eu sempre fui uma garota sortuda por ter pais que sabiam me dar limites, mas deixavam-me fazer coisas que muitos pais não deixariam. Eu mesma, por exemplo, não sei se deixaria um filho de 12 anos viajar só, provavelmente não. 
O que eu sei é que foi extremamente divertido, eu carregava no pescoço um crachá que relatava "Menor desacompanhado", as pessoas me olhavam pra ler o que tinha escrito e eu nem ligava para a “plaquinha”, afinal era mesmo uma menor, o que eu queria de fato era curtir. Foi engraçado. Ver a cidade de cima foi uma experiência de dar frio na barriga. Ver tudo como formiga, com a janela “aberta”, os olhos arregalados me fez ficar apaixonada e não era uma paixão platônica, era reciproco, eu me apaixonei por toda aquela aventura e a aventura se apaixonou por mim e até hoje estamos por aqui, com uma paixão que virou amor. 
Acredito que a minha relação com o meu amor é desde muito antes disso, quando o meu pai aventureiro fazia questão de me apresentar às coisas que a linda aventura poderia me oferecer, mas foi esse fato que marcou na minha mente as raízes da nossa relação.
Depois disso a minha outra viagem aérea foi junto dos meus pais, com 18 anos, destino São Paulo e Rio de Janeiro já haviam viajado de carro, ônibus, até de barco, mas a expectativa de voar sempre me causa um pouco de ansiedade. Cada maneira seja aérea, terrestre, marítima tem seus atrativos particulares, então não me pergunte qual é a melhor forma para se aventurar, eu gosto de todas.
Viajar de carro é maravilhoso, por mais que demore seguir conhecendo cada pontinho, cada interior que você nem sabia da existência acompanhado de uma trilha sonora, se perdendo algumas vezes, rindo muitas outras, é tudo tão profundo e íntimo. De barco é um tanto quanto complicado, dá ânsia, enjoo, mas sentir o cheiro do mar e vê-lo de pertinho me relaxa como muitas outras coisas não conseguem. Avião é como eu disse, fico com frio na barriga, algumas vezes os ouvidos doem (nada que um chiclete não ajude), outras vezes você se assusta quando o ele treme. Uma grande vantagem: Se chega mais rápido no destino. Porém, o melhor de tudo (pelo menos para mim) é ficar perto do céu, passar por entre as nuvens, ver o pôr-do-sol, a lua cheia ou o nascer do sol de uma forma que ninguém consegue ver da cidade, já vi as três coisas da janela de um avião e afirmo, é sem igual. É de faltar ar. Perdi a conta de quantos vôos fiz, mas uma coisa eu nunca esqueci, de olhar pela janela e sorrir... Nem que algumas vezes seja só em pensamento
Por último, as viagens de ônibus são reflexivas, já viajei de noite e sonhos foram à única coisa que eu tive e também um carinha puxando o meu lençol. O meu último grande trajeto de ônibus foi com destino Curitiba-PR, estava morando em Foz do Iguaçu e comprei passagens para ver minha mãe que não via há quatro meses, ela viajava para lá a trabalho. Percurso que durou onze horas, então dai você tira como foi. Reflexiva, no mínimo. Onze horas intercaladas com ouvir música, ler, dormir, comer, olhar pela janela e pensar na vida, o que se deixou para trás e o que se esperava pela frente. Pra minha sorte choveu por um tempo, ver a paisagem linda do Paraná com as gotas escorrendo pela janela foi, foi... Sem palavras. Sem falar nas paradas que duram só cinco minutos, tempo que mal dá para comprar algo pra comer, ir ao banheiro e voltar correndo pra não perder o ônibus, minutos carregados de aflição e diversão individual, me atrevo afirmar (na verdade acho que eu é que me divirto com pouco). Acho que ficaram claras as vantagens não é? Já a desvantagem, que em alguns casos nem pode ser considerada uma, é a demora e dependendo do motorista, o perigo da viagem. 
Não é só o resultado que importa, é muito mais que isso, é a soma das partes que faz toda a diferença. A decisão de partir, comprar as passagens, a viagem, a chegada, o que se faz quando chega, a volta, o todo é que faz valer a pena. Valorizo tanto os detalhes que acredito que seja por isso que aventura me ama, por eu valorizar cada pedaço dela.
O que eu sei é talvez agora você consiga perceber um pouco por que a minha paixão pela aventura virou amor. Sozinha, acompanhada, pelos ares, terras, mares, seja como for, a aventura sempre faz o meu coração acelerar, meus olhos brilharem e meu sorriso aparecer significando diversão. É por isso que ela me faz feliz e eu não a deixo é nunca. Quanto mais aventura, quanto mais amor, para mim melhor. Crie asas, rapaz, não perca tempo cortado o que pode lhe fazer alcançar lugares jamais imaginados.


"A maior aventura de um ser humano é viajar,
E a maior viagem que alguém pode empreender
É para dentro de si mesmo.
E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro,
Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,
Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas
E descobrir o que as palavras não disseram..."
(Augusto Cury)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

E até hoje é amor...


1953, Isis tinha 17 anos, Raimundo 25. Oito anos de diferença não fizeram Leite (assim era chamado no quartel onde trabalhava) deixar de observar aquela menina que brincava de bolinha de gude em frente à escola técnica de São Luís-MA. Todos os dias ele fazia questão de passar pela avenida para ver a tal garotinha, "linda, eram uma mocinha ainda", assim ele me contou. Raimundo tanto fez que conheceu a garota, passava pela parada de ônibus todos os dias e assoviava, ela saia correndo para a janela para vê-lo ou então quando estava brincando, observada pela tia ouvia o assovio que vinha acompanhado da piada da irmã da sua mãe: "Olha Isis, tem um canário esperto por aqui", ela ingênua sorria desconcertada. 
O fato é que não passou muito tempo para tudo aquilo, assovios, visitas diárias com troca de olhares e sorrisos simples, virar paixão. Era daquelas paixões avassaladoras, que ninguém conseguia acabar. Infelizmente os dois viviam em um tempo que o pai escolhia o esposo para sua filha, o pai de Isis não quis que a sua querida casasse com um soldado, ele era apenas um cabo, o que poderia oferecer? Disse a filha que não o queria como genro. Seria isso empecilho para o amor dos jovens? Os dois não ficaram satisfeitos e lutaram pela felicidade. Leite a roubou (ele usou essa palavra quando me dava detalhes da história). Fugiram em uma tarde de sol, se esconderam na casa de um amigo e tudo estava planejado, onde ficariam, como seria e a documentação do casamento civil que precisava da assinatura dos responsáveis da menor de idade. 
Passaram-se horas e a família deu falta da moça, a procuraram, mas nada de acha-la. Como disse, tudo estava planejado, Didico esperto pediu pra sua mãe ir falar com o pai de Isinha para assinar a documentação, pois sua filha não iria voltar para casa de forma alguma. Foi o que aconteceu, o pai não enxergando outra solução assinou os papéis. Documentos assinados, casados de papel passado e já era oficial. Porém a parte que Isinha não ia voltar para casa de forma alguma não foi tão real, acabou que os dois foram morar na sua antiga casa juntos dos pais. O pai da moça virou pai de Raimundo, o tratou como filho, um pai que ele nunca teve (palavras que ouvi da boca do próprio). 
A vida foi seguindo e outras coisas foram acontecendo, no começo Didico deixava Isis na escola de bicicleta, sentada na garupa. Depois em uma motocicleta e mais tarde em um belo fusca. Passou de cabo para sargento, Isis passou a trabalhar na escola técnica e assim conseguiram construir sua própria casa. Com ajuda no pai da garota foi colocado tijolo por tijolo no terreno. Logo depois os filhos chegaram, o primeiro um homem, depois gêmeos e junto com eles o susto de ter dois meninos de uma só vez em um parto normal e por último veio a esperança de ser uma menina e colocar o tão sonhado nome que desejavam. Fizeram o enxoval todo cor de rosa, cheio de bonecas e frescuras de menininhas, a esperança acabou quando nasceu a criança e o enxoval praticamente foi todo trocado, mais um homem encheu os dois de alegria. 
Soa como a família perfeita, não é? Para mim sim, mas (como tudo na vida tem esse bendito mas) Leite era militar, cheio de regras, ignorâncias e brutalidade,  só que também era um poeta. Suas poesias quase sempre falavam da menina que já era uma mulher, dos seus filhos, da lua e do seu cigarro (que hoje não usa mais), se titulava de "O Lobo solitário", era e é amante da a lua e dizia que ela era a sua única companhia. Três décadas depois, Isis não suportou as regras, ignorâncias, brutalidade e pediu a separação, 1992, ano que eu nasci também foi um ano de muito sofrimento para os dois. Mesmo com todas as palavras escritas, Isinha achava que faltava aquelas palavras saírem do papel e virarem atitudes de amor. Ele não queria a separação, a amava, do jeito dele, mas amava. Vou contar que ela também o amava, mas mesmo amando não suportava mais as ignorâncias. Ele correu atrás dela por vários meses, fez quase tudo para tê-la de volta, lutou ao máximo para não perdê-la, mas de nada adiantou, ela havia decidido seguir em frente sem ele ao seu lado, meio infeliz, mas com a certeza de que seria o melhor. Agora sim, mais que nunca ele era o Lobo solitário.
Já faz 20 anos que os dois estão separados, idosos, vivendo um longe do outro, Didico casou novamente com uma moça 45 anos mais jovem que ele, teve outro filho, dessa vez uma menina e pós o tão sonhado nome, mas o grande segredo (que não é tão segredo assim) é que os dois ainda se amam, ele ainda fica sentado ouvindo as músicas que lembram o tempo que vivia junto dela e ela nega qualquer sentimento, diz que graças a Deus que acabou, porém ainda mantém os olhos distantes quando o assunto é ele. Já li as poesias de Leite, todas lindas, profundas e carregadas, inundadas de sentimento, seja de amor ou dor.
Eu não conto, mas seria totalmente a favor dos dois voltarem, esquecerem de todas as coisas, não olhar para trás, manter o foco no futuro e aproveitar o resto de suas vidas um ao lado do outro, mas isso com certeza não irá acontecer, os dois já seguiram adiante, nenhum está disposto a mudar pelo outro, nenhum dos dois vai voltar atrás e os dois acreditam que já se passou tempo demais, o melhor é deixar como está. Já disse e repito, grandes histórias também têm finais tristes, essa é a verdade. Resta-me ser consolada pela certeza que mesmo com tudo isso eles são felizes. 

Já faz tempo e agora na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais 

domingo, 9 de setembro de 2012

séc. I

"...O curioso é que é impossível olhar pro que se passou como algo já enterrado porque tudo aquilo que aconteceu tornou-se imortal!" 

Trecho do livro, "Marcada para nascer de novo! 
A vida de hadassa"

domingo, 12 de agosto de 2012

Além de títulos



Parecia filme quando falamos que não íamos nos envolver, com aquele papo que nós éramos descolados e ter encontrado um companheiro para se divertir foi o que nós dois queríamos. Sem o título de namorados, sem declarações nas redes sociais, sem ligações intermináveis no final da noite e principalmente sem algumas cobranças. Era perfeito, até você achar que isso não era o bastante, descolados ou não, nada nos impedia de ter um relacionamento que fosse divulgado aos quatro ventos, foi quase isso que saiu da sua boca naquele dia. 
Eu, adolescente não queria namorar, passei anos namorando, sem nem lembrar o que era uma vida de solteira, quando voltei a lembrar, gostei das lembranças e de revivê-las. A verdade é que eu não queria me apaixonar, como de costume. Você não se importava em sentir um amor avassalador, era melhor do que viver na mesmice. O velho ditado "Quando um não quer dois não brigam" não se encaixou conosco e a sua pergunta "Do que tu tem medo, menina?" não saiu da minha mente. Lembro que respondi na lata (como sempre) "De nada, eu simplesmente não quero". Pura mentira, eu tinha/tenho medo de várias coisas e uma das principais era de não me sentir preparada para deixar a minha individualidade um pouco de lado. 
Muito disso tem vestígios dos meus relacionamentos passados, não interpreto isso como trauma, mas como amadurecimento. Eu não sou a mesma menina de antes, claro que algumas coisas continuam em mim, mas eu tenho novos sonhos, novas vontades e não sei se nelas, por enquanto, cabe alguém. Não quero machucar ninguém, vivendo coisas, tendo trilha sonora, despertando paixão, para no final dizer que eu estou partindo sem previsão de voltar. Era isso que eu queria que você entendesse, mas não, você é louco e prefere se arriscar. Ainda não notou que eu sou egoísta e não deixo os meus sonhos por ninguém? Eu lembro que você me falou que estava disposto a sonhar comigo, mas e se...
Passaram-se semanas e a cada uma era mais frieza e distancia que havia, eu com medo e você com um certo orgulho de não insistir com a minha racionalidade, eu entendia. E assim eu fui constatando coisas que a distancia mostrou-me, eu ouvia certas músicas e me lembrava de você, passa por lugares que eu queria ir contigo, via trailer de filmes que queria assistir ao teu lado. Vivendo coisas, tendo trilha sonora, despertando paixão, isso tudo já existia eu só não enxergava e o que fazer? Continuar. 
Os meus pensamentos racionais ainda são maiores, o sentimento vai ficando de lado, tirando quando eu ouço a tua voz dizendo que precisa ir. Voltou e confessou que pior do que não ser meu namorado é não poder me ligar me convidando pra ir dar uma volta (rsrs). E hoje, aqui em público, onde qualquer um pode ler, eu te digo, é bom te ter comigo, fica por perto mesmo não sendo o meu namorado, isso vai além de títulos, você me faz bem e quando quiser pode me beijar, tu sabe que os meus beijos são só seus.

sábado, 21 de julho de 2012

Relatos de um Peregrino

12 de julho 2012, partindo para Fortaleza-CE, antes com parada obrigatória em Teresina-PI, visitar uma família amiga. A viagem começou bem, pois até então iria passear por Fortaleza sozinha, nada que me fizesse ficar triste e desistir de viajar, mas é claro que com boa companhia as coisas ficam bem mais divertidas. Em Teresina, revendo uma amiga de infância tive a certeza mais uma vez do que eu já sabia, as pessoas crescem e mudam, minha amiga que andava de calcinha pela minha rua nas férias, hoje namora com um advogado, usa roupas de patricinha, parece super apaixonada e cursa engenharia civil, isso não me assusta, só me faz notar que esse é o ciclo natural das coisas, nesse ciclo eu só me encaixo no fazendo faculdade. Foi bom passar aquela tarde colocando o papo em dia, comendo um doce gostoso pacas e vendo como é bom conhecer pessoas em outro estado. 
De noite, serra do Ceará, 19°. Chego em Tianguá, que beleza de pousada que fiquei, cara. Não tinha como não lembrar dos meus amigos maravilhosos, sonhei com todos nós juntos ali, barraca, chuveiros coletivos, luau, uma vista incrível, parapente, cachoeira, trilha, caverna, tudo que lembra cada um de nós. Enfim, colocamos o "pé na estrada" mais uma vez, eu, Raimundo (meu pai), Jací (minha mãe) e Pedlo (meu irmão). Paisagens lindas, boa música e muitas risadas, muitas mesmo. E digo, se você nunca viajou de carro, viaje, faz toda a diferença, é uma experiência de aventura completamente diferente de uma viagem de avião. Nos perdemos, nos achamos, discutimos, cansamos e chegamos em Fortaleza. Sem nem encostar no ap. que íamos ficar, corremos direto para Monsenhor Tabosa, compramos, rimos e nos perdemos de novo até encontrar o a rua do apartamento. 
Saímos, fomos a restaurantes, ao centro antigo, que por final fizeram propagando enganosa dizendo que era um ponto de encontro de jovens, intelectuais, boêmios... Tudo mentira, cheguei lá crente que ia ver pessoas interessantes, me deparo com pessoas bêbadas dançado "eu quero tchu eu quero tcha". Pensei que encontraria jovens alternativos, com estilo e com cara de bons leitores, ilusão. Ou eu estou louca ou o significado de intelectuais e boêmios mudou. Pelo menos achei alguém interessante por lá e me apaixonei (e que isso fique entre nós), sabe aquela paixão de uma noite que termina com um adeus? Pois é. Beach Park e junto dele a ideia de que estou ficando velha e mais medrosa, porém com coragem para enfrentar o medo na veia. Habib's, mais companhia de amigos de infância, lembranças e bons papos. Praias, feira noturna carregada de coisas hippies que eu tanto amo, exposição de arte oficial do Romero Britto (que coisa mais linda), show de humor no Ceará sem igual e tudo acabando em pizza. Se você nota, muitas coisas no plural, para quem ia passear só, eu me dei de bem. 
Para acabar, segunda-feira (16) esticar até Canoa Quebrada era a melhor opção e que lugar era aquele?? Que praia, que visual, que mar, que cor, que beleza... Cidade Paz&Amor, por isso a lua e a estrela, tudo que eu gosto. Passeio de jangada e mergulho em alto mar, recolhendo pedras pelo caminho, tomando uma boa cachaça típica, a tal da Meloska, vou te contar que bebida boa. Passeio de bugre, vendo um fusca lindo no meio das dunas, nossa eu amo viajar
É o Ceará, aquele encanto de estado, cheio de coisas lindas e interessantes, mas que me deixou triste quando vi o número de prostitutas na Av. Beira Mar, tantas que perdi a conta. A prova de que nada é perfeito, pelo contrario, estamos longe disso. Outro fato que posso levar para a vida é o que o ditado diz "Quem tem boca vai a Roma", é quem tem boca e não quem tem GPS. Por causa do bendito nos perdemos e demos enorme voltas várias vezes, rs. Viajar é um presente e eu tenho a sorte de ganhar algumas vezes por ano. 
E no final tudo acabou com gostinho de quero mais!


MINHA PAIXÃO DE UMA NOITE


EXPOSIÇÃO OFICIAL DO ROMERO BRITTO

MELOSKA


quarta-feira, 18 de julho de 2012

O outro, idêntico oposto.

Como nós somos egoístas, como vivemos achando que tudo gira em torno de nós. Criando portas para o caminho ser mais acessível para si mesmo, colocando tudo em uma moldura imaginária para ser mais fácil de se admirar. É tão simples perceber que tudo gira em torno do outro e não de você mesmo, nas mínimas coisas, até mesmo no amor. 
Lendo, pensando, assistindo, (me) observando e notando que se tivermos a ideia de que o mundo é o outro tudo seria bem mais simples. Por exemplo, aquele cara não te deixou porque você engordou 5 kg, ele lhe deixou pois se interessou por outra, a sua namorada não te traiu porque você era um cara gentil e romântico, ela te traiu porque o desejo foi maior do que qualquer outra coisa. Você não foi escolhido para a vaga do emprego porque você é péssimo, mas porque tinha outra pessoa que se encaixava melhor na vaga. É tão mais tranquilo olhar por esse ângulo, ninguém é o centro do mundo para achar que o problema ou a solução de tudo estar em si mesmo, que isso não afaste o senso de responsabilidade, claro, porém que faz as coisas ficarem mais fáceis de serem digeridas isso faz. 
O ser humano é assim mesmo, carregado de si, de medos, desejos, sonhos e de realidades. Cabe percebemos que o outro é tão importante quanto o seu próprio umbigo. 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Seis, mês.

Junho foi um mês estranho, acho que as muitas propagandas dos dias dos namorados introduziram coisas na minha mente, fiquei mais romântica, mais fofinha e mais sensível, eu poderia dizer que foi TPM, porém TPM o mês inteiro? Não, foi mais que isso. Como disse um colega da faculdade, até as minhas roupas mudaram por umas duas semanas, sem falar nos textos desse mês, todos foram carregados de romantismo.
Gosto do mês de junho e por enquanto que muitos se preocupam com os presentes dos seus namorados eu começo a festejar porque chegou o São João e aqui no Maranhão a festa é com muita comida, dança e bumba-meu-boi, o mês está acabando e já passou a minha fase fresquinha de ser, já deu tempo de me desalienar.
Só que antes de acabar, tenho observações para fazer. Véspera do dia dos namorados uma amiga me liga dizendo: "Amiga preciso de ajuda, me dá uma ideia de presente pra eu dá pra fulano, porque eu sei que tu é boa com isso", eu respondo: "Quer presente fácil e prático ou que te dê trabalho? Eu te sugiro o fácil e prático, porque o que te dá trabalho é só pra fazer o que o nome já diz, dá trabalho". Eu com uma vasta experiência em presentes trabalhosos, aqueles que você começa há fazer um mês antes, fui logo dando a minha opinião cheia de traumas (rs). É que quando se está apaixonada você quer fazer presentes super bem bolados e lindos, mas quando a paixão passa você acha que foi trabalho demais. A respeito disso digo, se você quer ter trabalho demais, tenha. Apesar dos pesares, mesmo que depois passe, naquele momento aquilo era importante para você. Seja capaz de planejar e fazer, porque se não, a sessão depois é de "eu deveria ter feito". Isso não é só a respeito de presentes, mas em relação a vida como um casal e individual.
Outra situação, em um arraial da cidade vejo um casal meio que discutindo, a menina cheia de razão e o rapaz olhando para ela com cara de "eu não acredito nisso" (sim, eu fico observando as coisas por onde vou, não me julgue). Eu me vi naquela situação, lembrei de um relacionamento passando que aconteceu a mesma coisa, arraial, discussão, eu cheia de razão e o rapaz com a mesma cara. Hoje eu nem lembro o motivo da briga, acredite se quiser, mas isso só mostra o valor que esse tipo de coisa tem, nenhum. Por isso digo outra coisa, brigue menos, eu como uma pessoa chata que já briguei várias vezes por motivos banais, posso afirmar, não vale a pena. Releve mais, discuta só quando realmente for necessário, aproveite os momentos que se tem para curtir e esqueça a chateação, sei que é difícil, mas depois de um tempo você acaba que nem eu, nem lembrando o motivo dá raiva. Isso é questão de amadurecimento, anos atrás nunca que pensava desse jeito, hoje depois de mudar algumas/muitas coisas, percebo que é bom se pensar "Isso realmente é motivo pra gerar uma briga?", se a resposta for não, esqueça.
E por fim dou uma #dikdajam, seja você, seja sábio e lembrem-se namorar é dividir um pedaço seu então se você não quer dividir, não quer abdicar de algumas vontades próprias e não quer passar por cima do seu orgulho muitas vezes, faça como eu, fique solteiro (rs) até que você queira e esteja preparado para fazer tudo isso. É questão de sabedoria.
E assim se vai mais um mês seis.


domingo, 17 de junho de 2012

Segredos

"Nessa noite, nesse momento, eu queria que os olhos revelassem algo através das fotografias."                           

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Duas bicicletas e um mundo



Todas as manhãs era minha rotina ir caminhar em um parque da minha cidade, além de achar que estava com uns quilos a mais, queria ficar saudável. Preferia o parque a academias lotadas, cheias de gente suada com o cheiro estranho, lá pelo menos eu via natureza e descansava a mente, era tão bom que eu não me importava de ir sem o meu mp3, gostava de ficar com os meus próprios pensamentos. 
Certo dia cheguei mais cedo para minha terapia natural e passando por um ponto do parque olhei de longe (não tão longe assim) um rapaz, sentado debaixo de uma árvore com um livro. Ele lia "O mundo ao lado", usava uma camisa simples, bermuda, all star, uma pulseira meio hippie, óculos, por último e não menos importante tinha uma tatuagem na perna. Não, eu não observei tudo isso de uma vez só, eu acelerei os passos, corri para chegar mais uma vez naquele mesmo ponto e o ver novamente, tinha algo ali que me fazia ficar com os olhos vidrados. Na terceira volta, correndo para chegar ao mesmo lugar, percebi que não tinha mais ninguém sentado debaixo da árvore. 
Deixei passar, mas quando cheguei em casa fui pesquisar sobre o livro e para minha surpresa contava a história de um cara que dava a volta ao mundo com uma bicicleta, indo por vários países, conhecendo várias culturas, povos, comidas e tudo isso de bike. Eu pensei: "É perfeição. Sonho!". Na manhã seguinte segui para minha rotina e o vi no mesmo lugar, com a cabeça em outro mundo, mas dessa vez ele estava com um caderno e um lápis, pensei que ele poderia escrever e isso ficou mais interessante ainda. Eu só pensava que em um lugar aonde todos iam para cuidar do corpo, até eu mesma, tinha um cara que ia para cuidar da mente. Assim seguiu durante uns dias (tantos que até notei algo diferente no seu rosto, era barba crescendo), até que, claro, ele percebeu que eu o observava, eu fiquei constrangida, confesso, porém eu repito, tinha algo ali que me fazia ficar com os olhos vidrados. Eu disfarcei, fingi que não estava olhando e notei que os olhos dele também me seguiam. 
Ficamos assim, trocando olhares meio tímidos. Um dia ele sorriu, um daqueles sorrisos de canto de boca que para mim significou "Eu sei que você me olha". Eu sorri de volta e dizia a mim mesma que não seria eu a primeira a falar, iria esperar. 
Por situações do dia-a-dia eu deixei de ir ao parque por umas duas semanas, lembrei-me dele, porém mais uma vez deixei para lá. Depois disso, em uma segunda-feira, quando voltei para a caminhada, não vi o rapaz que lia um livro interessante e tinha uma tatuagem na perna, enfim... A caminho do meu carro, no final, olho um papel no vidro segurado pelo limpador do para-brisa. Peguei o papel, abri e vi uma das coisas mais bonitas que alguém já tinha me dado de presente, era um desenho meu, nos mínimos detalhes em uma folha de caderno feito de lápis e logo embaixo escrito: "Por onde você andava?". Eu fiquei paralisada, com aquele sorriso besta nos lábios e procurando o tal rapaz, só poderia ter sido ele. O lápis e o caderno não eram para letras, eram para dá significado as palavras, eu pensava. Fui para casa pensando em como tudo aquilo era estranho e surpreendente. 
No outro dia fui pronta para deixar de lado o orgulho feminino e falar com ele. Ele estava lá debaixo da árvore, eu me aproximei e perguntei: 
- Aquele desenho, ele é seu? 
- É sim, e a pergunta também. Respondeu 
- Eu andava meio ocupada, mas estou de volta. Você desenha muito bem e obrigada. (Eu ria sem perceber) 
- Por nada, menina. Você pode me dizer o seu nome? 
- Vanessa. Me diz o seu? 
- Lucas. Quer sentar? Eu não me importo de dividir a minha toalha.
Essa frase chegou aos meus ouvidos como "Eu não me importo de dividir o meu espaço e nem a minha vida com você". 
Sentei e conversamos durante um tempo, falamos sobre as nossas vidas, ocupações, deveres, ele me deu um pouco da sua água e tivemos um primeiro encontro sem perceber. Não trocamos telefone, nem e-mail, nem sobrenome e nem nada que me fizesse achá-lo, só tinha a certeza que na manhã seguinte o veria e foi o que aconteceu. Dessa vez levei uma fotografia que havia feito de uma árvore que era perfeita para um segundo encontro, o primeiro na nossa mente. Ele recebeu a foto, elogiou e disse que se pudesse queria conhecer o lugar, o levei e lá ele nos desenhou juntos debaixo da tal árvore e no final escrito: "E ai, quais são seus planos? Eu até que tenho vários, se me acompanhar no caminho posso te contar". Eu olhei nos olhos dele e sorri, um sorriso que queria dizer "Eu quero ouvir".
Por fim, começo na verdade, muitas coisas aconteceram, até hoje não temos título de namorados, mas temos uma tatuagem em forma de anel no 'seu vizinho' da mão esquerda. E sabe o livro? Li, sonhamos, planejamos, compramos duas bicicletas e partimos.

sábado, 9 de junho de 2012

A rosa de um Leonardo qualquer


Leonardo não sabia o que fazer naquele dia, ele pensava em escrever coisas para o seu amor que havia partido fazia anos, pensava em ser sincero e dizer o que queria para ela, mas não sabia se deveria. Já Rosa não pensava nem se quer em escrever um 'oi' tão direto, ela era uma daquelas mulheres que viviam de indiretas, textos prontos ou textos carregados de sentimentos, esses que só não viam/sentiam quem não queria. 
Eu posso falar para vocês que li alguns textos dela e afirmo que ali ainda existe algo, não sei ao certo o que é, porém aquelas palavras digitadas transpiram sentimento, e não posso dizer ao certo, pois acho que é uma mistura deles, é tipo cor, quando se mistura várias é complicado especificar cada uma.
Leonardo vivia bem, é um fato, como o próprio nome dele significa "forte como o leão", ele sabia dá os passos que queria, era corajoso e verdadeiro. Quando a deixou, foi exageradamente tudo isso, só que para sua infelicidade o tempo passou e novas palavras surgiram, arrependimentos, sentimento de que poderia ter feito melhor e lembranças boas, só as boas permaneceram. Algumas vezes se sentido culpado, se achando ridículo por tantas infantilidades, olhava para o passado e admitia que naquele tempo tudo fazia sentido, mas no presente só dizia a si mesmo uma das suas frases mais ditas "eu entendo, mas não justifica". Por isso ele pensava em escrever e não nas entre linhas, mas com um destinatário. 
Rosa também vivia bem, andava com um teor alcoólico elevado nas suas veias nos finais de semana, mas era uma mulher doce que sabia ser rude, os olhos dela tinham o brilho da emoção, tudo que para ela envolvesse isso fazia o maior sentido, era carregada desses sentimentos. Fazendo jus ao seu nome que lembra justamente tudo isso, emoção, doçura e rude como os espinhos. Diferente de Leonardo, guardava recordações ruins, até chegando a achar que tinha sido um erro toda aquela história. Ela na verdade (deixando claro que isso são minhas deduções) não entendia muito bem o que tinha acontecido com eles, Leonardo sabia disso e esse fato o deixava triste, pois sentia que deveria explicar as coisas, talvez por isso a necessidade de escrever. Apesar de também ter escolhido o fim, ela pensava que poderiam ter voltado, pois foi um belo fim para um recomeço.
Nada disso aconteceu, creio que para a tristeza dos dois, só que uma coisa é real, quando se vai seguindo, mesmo olhando para trás ninguém quer voltar, qualquer um quer continuar seguindo, o que não significa que não possa ter um cruzamento logo ali na frente. Assim eu penso e conversei com o Léo por esses dias sobre isso, mas ele foi sincero, como sempre e disse que mesmo às vezes pensando nisso e até muitas vezes querendo voltar, caminhar para trás, ele acha que o melhor é seguir em frente, sem nenhum tipo de esperança, disse que achava que tinha feito Rosa sofrer demais para correr o risco de machucá-la mais uma vez. 
Com tudo isso, depois desse papo estranho carregado de olhos cheios de lágrimas que chegavam até lembrar os de Rosa, eu começo a achar que aquele dia foi o fim mesmo. 
Eu fico triste, mas sei que os dois ainda tem muito pela frente, isso me conforta. Muitos romances acabam assim, com finais tristes, mas interessantes, só que muitos não gostam do desfecho, até mesmo os próprios atores.

domingo, 3 de junho de 2012

Poisé...

"O pior são as promessas que não foram cumpridas 
e os sonhos que não viraram realidade."

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O meu tempo é o presente

Sou do tipo não muito distante de romances, vida a dois e histórias bestas. Gostos dessas coisas, devo confessar, porém também devo ser honesta e dizer que apesar de gostar, gosto mais ainda de ficar distante disso tudo. Não é por nada, mas quem me conhece sabe do meu cérebro racional e da minha muita exigência.
É ridículo elogios sempre iguais, aqueles que dizem como eu sou linda, meiga, delicada e cheirosa. Vamos ser mais criativos e mais sinceros também, procurar me conhecer, querer saber as minhas principais qualidades e os meus piores defeitos isso sim me atrai. Reparar no meu nariz de coração, na minha mania de coçar o nariz, de ficar de boca aberta e de mexer nas unhas quando fico tensa com um filme, isso sim são elogios indiretos, esses elogios é que me interessam.
Gosto de escritos reais, não das mesmas palavras que todos os namorados dizem um pro outro (apesar de já ter dito), hoje prefiro um "eu te amo" menos dito mais verdadeiro e mais forte. Tanto prefiro que quando achar alguém que seja capaz disso, talvez eu assuma a responsabilidade de me aproximar dessas coisas e deixar o meu lado egoísta para trás, mas não espero por nada, longe de mim, eu vivo sem esperar isso tudo, pois até quem espera aguarda ansiosamente, eu apenas vivo, ando seguindo com calma e muita diversão.
Tudo isso não é nada demais, é só para ressaltar que agora não é o meu momento e que relacionamento a dois não é algo presente nos meus atuais planos para o hoje, sou só uma adolescente indo para uma nova fase, a juventude. E com muitas vontades individuais, desejos próprios para pensar em outro alguém dessa forma que descrevo. 
Eu até já pensei diferente, só que hoje eu escrevo assim e amanhã já nem sei mais, posso continuar, parar ou posso voltar, só que o meu tempo é o presente.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Top 10: Trilha sonora


Por que não lembrar de coisas boas que fizeram a minha história ser mais emocionante? Eu não vejo motivo para não colocar nessas ‘linhas’ uma parte da minha trilha sonora. Vai ai músicas que por alguma razão (e a psicologia explica, rs) estão no pré-consciente e me trazem lembranças inevitáveis.
Partida de Futebol – Skank: É minha infância pura, toda vez que escuto lembro-me das minhas férias. Todos os primos juntos dentro de um carro voltando do cinema ouvindo essa música, na parte específica da música “(...) quem não sonhou em ser um jogar de futebol?” o meu primo mais velho grita “EU”. Nunca me esqueci disso, vai entender por que até hoje quando escuto essa parte eu grito a mesma coisa.

Papo Reto – Charlie Brown Jr.: Estava na 5° série e tinha um amigo (uma paixão de criança) que adorava Charlie Brown, aprendi a música porque ele gostava, até hoje consigo cantar a música toda.

                                    


Big Girls Don't Cry - Fergie: 7° série, sentada no fundo da sala dividindo o fone de ouvido com a minha melhor amiga (que é até hoje) enquanto rolava alguma aula chata que eu não lembro, eu fico feliz só de lembrar. Penso mais um pouco e lembro-me de outra música que escutávamos juntas. No auge do nosso mau gosto musical, ouvindo em alto e bom som “Adultério”, cantando e dançando loucamente essa música ridícula, é para eu lembrar e sorrir sozinha.

Me namora – Edu Ribeiro: A música lançou na rádio e virou um vício na minha boca e da minha amiga, a mesma que eu escrevi sobre, ainda pouco. 8° série estava gostando de um menino e essa música parecia perfeita para um começo de romance e foi o que aconteceu, no final do ano letivo estávamos namorando.


My sacrifice – Creed: Não sabia que uma música ia me fazer lembrar do meu primeiro namorado, afinal quando namorávamos não tínhamos essa história de “a nossa música”. Mas depois do termino, ouvindo a música percebi o quanto essa trazia a minha mente o que nós tínhamos vivido.


Amor por Retribuição – Kid Abelha: A letra não tem nada a ver, não se encaixa em nada que vivemos, mas essa música só me faz lembrar do meu 2° namorado. Acho que foi pelo fato de que quando estava pintando um quadro para dar de presente pra ele essa era uma música que eu escutava e cantava em voz alta e porque sempre que estava indo me encontrar com ele andando pelas ruas da minha bela cidade essa música tocava no meu mp3. É louco como a nossa mente é.


Sweet Jah –  Braddigan: Pense em uma música que me faz lembrar o tempo que eu morei em Minas Gerais, é essa. Tem várias outras, mas essa me faz lembrar dos meus dias de noite sentada no chão conversando com os novos amigos naquele friozinho gostoso. Que saudade!


Boa Pessoa – A banda mais bonita da cidade: Foz do Iguaçu, no meu mp3 só tocava as músicas da banda que tinha acabo de estourar. Tardes frias procurando sol para se aquecer, muita amizade, geada e principalmente muito amor pelo próximo. Tempo incomparável.


The Lazy Song – Bruno Mars: Voltando da casa de praia com os meus queridos essa música toca na rádio. Sentada no banco dá frente olho pro meu amigo e faço um comentário sobre a música. E até hoje quando escuto a música me lembro dessa cena besta, mas que marcou aquele dia.


Eu escolho Deus – Thalles Roberto: Me faz pensar no presente e no futuro.


E por fim, fica na minha mente um monte de outras músicas, de outras lembranças que me fazem ficar feliz. Nunca pense que o que eu vivi me fez mal, gosto de lembrar justamente por isso, eu amadureci e cada coisa me fez bem de uma forma especial. Não tenho o que reclamar, muito menos falar mal. Eu agradeço pelas músicas e por tudo vivido!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Amanheceu


03 de agosto de 1990. Jorge voltava para casa depois de um dia feliz por ter comprado a casa dos sonhos dele e de sua esposa Marieta, no Rio de Janeiro. Costumava sempre retornar às 19h, mas nesse dia, por ter ido fechar o negócio logo após o trabalho ele voltava às 21h. No caminho ele ouvia música alta e cantava alegremente, era sexta-feira e não via a hora de chegar em casa, contar a novidade a sua esposa e tomar um bom vinho na companhia de quem ele mais amava. Marieta estava grávida de 4 meses e Jorge só pensava na vida que os três iriam levar na nova casa.
Estava na Avenida principal perto de sua casa quando um carro desgovernado veio em sua direção, Jorge tentou desviar, mas os dois estavam em alta velocidade e os carros se bateram, o carro de Jorge capotou e o outro bateu em um poste. Os dois ficaram inconscientes e foram parar no hospital. Marieta em casa estranhava a demora do marido, mas logo recebeu uma ligação da policia dizendo que o seu marido tinha sofrido um acidente e estava no hospital, correu para lá junto com a sua irmã mais velha, chegando ao local logo lhe disseram: “Jorge estava muito ferido, o acidente foi grave e ele não resistiu, sentimos muito”. Ela não sabia o que pensar o que dizer, porém sabia muito bem o que sentia. A vontade de morrer era o mínimo, naquele momento ela descobriu como amava aquele homem e como queria dizer isso para ele pelo menos mais uma vez, isso não seria possível.
A criança no seu ventre continuava a crescer e foi isso que deu forças para Marieta continuar e querer viver, não por ela, mas por aquela vida que era fruto da vida de Jorge. Com o passar dos meses foi se acostumando com a dor e descobriu que o homem que dirigia o outro carro estava bem, vivia em um bairro próximo ao seu e naquele dia ele voltava bêbado para casa após uma confraternização do trabalho. A única coisa que ela sentia era ódio, ódio daquele homem que foi o culpado pela morte do seu amado.  Prometeu a si mesmo que iria se vingar, que o faria sofrer como ela estava sofrendo. Na sua mente só vinha à imagem de Jorge no caixão, deixando uma vida toda para trás.
Marieta planejou uma vingança, um plano cruel e se preparou para no dia seguinte ir à casa do rapaz, ela limpou a arma que tinha em casa e colocou na cabeceira da cama. Sem conseguir dormir, em prantos se ajoelhou e gritava perguntado: “Deus por que permitiu isso?”. Chorou e orou até pegar no sono. No dia seguinte ao invés de levar a arma, levou uma bíblia. Foi até a casa do assassino do seu marido, tocou a campainha e ele abriu a porta com um copo de cerveja na mão totalmente alegre. “Lembra-se do acidente do dia 03 de agosto que você sofreu e que um pai de família morreu? Esse pai era o meu marido e ele ia ser pai dessa criança que eu carrego na minha barriga”. O rosto do homem mudou de expressão e ele não conseguiu olhar nos olhos de Marieta. Logo depois ela falou algo que só entenderia totalmente depois de um tempo: “Eu não vim aqui para lhe agredir e nem lhe ferir com as minhas palavras, vim para lhe dá isso de presente e dizer que eu estou lhe perdoando”.
Em meio a um turbilhão de sentimentos, Marieta escolheu a melhor coisa, escolheu perdoar. Quando ela virou as costas, deixando o rapaz sem palavras ela sentiu paz, sentiu um alívio profundo, conseguiu respirar profundamente como há tempos não conseguia e voltou para casa feliz. O rapaz prometeu a si mesmo que nunca mais iria beber, começou a ler a bíblia que ganhou e decidiu viver de forma diferente, Marieta nunca soube disso. O perdão mudou a sua própria vida e a do homem. Sem ela saber, a atitude dela fez a diferença e mudou a vida de outro alguém. Ela escolheu fazer diferente.
Entendeu que perdoar não é esquecer, pois se lembrava de tudo quase todos os dias, mas percebeu que aquilo não lhe machucava mais, entendeu que todos somos passíveis de erros, somos falhos e que todos merecem uma segunda chance, até mesmo os piores. O perdão exige tempo, força, coragem e amor, amor pelo outro e por si mesmo. Não se consegue evitar traumas e erros, é verdade, mas permite que depois disso venha à paz e a vontade de recomeçar.
Você é capaz? Eu tenho certeza que sim.
É como passar dias no escuro e sorrir ao ver o sol nascer.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Peregrino

Dia de semana, sentada na mesa de um aniversário de um parente da minha tia, ao meu lado estava minha prima, conversávamos sobre coisas importantes e sérias quando recebo uma ligação, ouvi atenta, ao fundo a voz que falava de uma promoção aérea que estava tendo e que passagens para Minas Gerais estava a preço de banana, eu simplesmente comprei minhas passagens junto com um amigo e no final da ligação notei, "caramba, voltarei a Pitangui e vou rever meus queridos amigos". Sonho! 
Comprei as passagens mais de um mês antes e desse dia em diante foi esperar para correr atrás do lugar que eu tinha passado os melhores meses que eu já tive. Dia 26 de abril desembarquei em Minas Gerais, começou a emoção encontrando uma amiga do Paraná que eu não via a três meses, correndo de braços abertos na rodoviária e me apertando, com um aperto que significava saudade. Tive a oportunidade de conhecer um negão gente fina pra caramba, um branquinho com fala mineira engraçada e que falou do meu sanduíche enorme. Saímos, à noite era uma criança para todos nós, loucos ansiosos por um barzinho, boa música e bom papo e com ônibus saindo só as 05:45. Rodamos e achamos um bar super show, daqueles que você não encontra em São Luís - MA, música ao vivo e uma biblioteca, cheia de livros sobre tudo, inclusive sobre e minha linda psicologia. Não satisfeitos fomos andar, rodamos MUITO e não convém da detalhes, mas no final encontramos um bar legal, com boa bebida (boa = a barata. Rs) e deliciosas batatas fritas. 
Bom papo, jogando conversa fora, sendo turista, quer algo mais? Eu não. Voltamos para a rodoviária e ficamos por lá, deitados pelo chão, feito mochileiros sem lugar para dormir esperando o ônibus. "Arrumamos" confusão com o cara deitado perto de nós pelo alto nível das nossas risadas, nem queira imaginar do que aquele querido, meigo e delicado moço nos xingou, não queira mesmo. 
Partimos pra Pitangui, chegando na base de Jocum, eu senti aquele cheiro que me dava uma nostalgia louca e na mesma hora que pisei ali lembrei de um ano trás, quando eu chegava com minhas malas para passar cinco meses e que eu nem imaginava que tantas coisas iriam mudar e que essas mudanças me fariam tão bem. Aquele lugar no meio do nada me deixou manchas que eu nunca quero lavar, como eu disse "o bom filho sempre a casa retorna". Sabe a sensação de pertencer aquilo? Aquela rotina, aquelas tarefas e comunhão, não aquele lugar, mas aquele estilo de vida. Tive essa sensação. 
Por fim, matei saudade do casal de amigos e das suas filhas que irão partir pra Nova Zelândia, colocamos o papo em dia, ouvimos novas histórias engraçadas e nos divertimos muito. Só não foi melhor pelo pouco tempo, queria ter matado a saudade, passar horas conversando com outros amigos, porém valeu cada dia, foi bom demais da conta, siô. 
O mais importante, vi que continuo andando pelo caminho que decidir seguir naquele lugar, o novo caminho que agora já não é tão novo assim. Eu sinto saudade de cada parte dali, do "meu" quarto que hoje dormem outras meninas, da "minha" cama que agora é ocupada por outra pessoa, do cheiro, da grama e principalmente das pessoas. É uma saudade gostosa.
E no final tudo acabou com gostinho de quero mais!

  

                                                                             


























http://www.youtube.com/watch?v=u5WiqJFq2-o - You can see that your home's inside of you